Wagner Moura comenta críticas ao seu espanhol em 'Narcos': 'Fiz o meu melhor'
Publicado em 7 de setembro de 2015 às 09:56
Ator vive Pablo Escobar, famoso traficante colombiano, na série americana do Netflix, que tem feito sucesso com o público brasileiro
Wagner Moura se mudou para Colômbia meses antes do início das gravações de 'Narcos' para aprender a falar espanhol
Apesar do sucesso com o público brasileiro e de ter recebido elogios de jornais como o 'The New York Times', a pronúncia de Wagner foi criticada por alguns
Wagner Moura posa ao lado do restante do elenco de 'Narcos' na première da série
Ator dá vida ao famoso traficante colombiano, Pablo Escobar, na série do Netflix
Wagner engordou 20 kg para viver Pablo Escobar
Ator não liga para críticas a respeito de seu sotaque e garante que fez seu melhor. 'Claro que meu espanhol não é igual ao espanhol falado por alguém da região de Medellín', disse

A série "Narcos" estreou no último dia 28 de agosto e foi produzida pelos Estados Unidos exclusivamente para o Netflix, um popular serviço pago de TV pela internet. Com direção de José Padilha, a trama gira em torno do traficante colombiano Pablo Escobar, interpretado por Wagner Moura, que precisou engordar 20 kg para o personagem. Apesar de "Narcos" ter caído no gosto do público brasileiro e ter sido considerada "digna de prêmios" pelo jornal "The New York Times", há quem venha fazendo críticas ao espanhol de Wagner Moura.

Sem saber falar o idioma, o ator chegou a se mudar para Medellín, terra de Escobar, meses antes do início das gravações para aprender espanhol. No entanto, o esforço de Wagner não foi reconhecido na Colômbia, por exemplo, onde a revista "Arcadia" considerou a série uma "decepção" por causa da pouca naturalidade do ator ao dialogar em espanhol, apresentando sotaque brasileiro.

Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", Wagner, que contracena em "Narcos" com Pedro Pascal, ator de "Game of Thrones", disse ter consciência que sua pronúncia não se compara a de um nativo e, pediu ainda, que a publicação não editasse sua declaração a respeito do assunto. Leia abaixo o depoimento completo do ator.

Desculpe, não há muito o que falar. Acho que não cabe ficar me justificando de críticas. O trabalho está aí, tem gente que gosta e gente que não gosta, assim é que funciona esse negócio. "Narcos" tem recebido críticas consagradoras mundo afora e não creio também que tenha que agradecê-las ou achar que estão todas certas. Posso dizer o seguinte: eu gosto muito da série e tenho muito orgulho do trabalho que fiz. Em "Narcos", a maioria dos personagens colombianos é interpretada por atores que falam com outros sotaques. Luiz Gusmán é porto-riquenho, Paulina Garcia é chilena, Paulina Gaitán é mexicana, Alberto Ammann é argentino...

Claro que meu espanhol não é igual ao espanhol falado por um paisa [alguém da região] de Medellín. Tampouco é tão bom quanto o de qualquer um que fala essa língua desde que nasceu. Te garanto, no entanto, que fiz o melhor que pude. Veja bem: Benicio del Toro, por exemplo, fez um Pablo Escobar extraordinário falando inglês no filme "Paradise Lost". E Pablo nunca falou inglês na vida. "Narcos" é uma série feita para o mundo inteiro, não só para a Colômbia. Já imaginávamos, claro, que ia haver alguma polêmica lá, pelo simples fato de eu ser brasileiro e de Escobar ser um personagem fundamental nesse país.

Apesar disso, foi emocionante a acolhida que tive por parte de todos os colombianos que trabalharam na série. Acho que eles respeitaram meu comprometimento com o personagem e com a história deles. E, sinceramente, isso para mim já valeu. O único espanhol que eu sei é o que aprendi em Medellín. Veja: quando fiz JK [em minissérie da Globo sobre o presidente, exibida em 2006], tentei pincelar o sotaque mineiro sem nunca forçar. Também não era perfeito como o de alguém que nasceu em Belo Horizonte.

O mesmo com o cearense de "Praia do Futuro", com o paulista de Carandiru, com o pernambucano de "Deus é Brasileiro" ou o carioca de "Paraíso Tropical". Não foi diferente com o paisa de "Narcos". Claro que um ator tem que tentar chegar o mais próximo possível do personagem em todos os aspectos humanos, inclusive, se for o caso, da prosódia. Mas eu acho, sinceramente, que há coisas bem mais importantes que o sotaque.

(Por Mariana Mastrangelo)

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