A contagem regressiva para o Oscar 2026, que acontece neste domingo (15), tem um gosto especial para o público brasileiro. O cinema nacional chega forte à premiação com Wagner Moura como um dos nomes em destaque na categoria de Melhor Ator graças ao filme "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho, que também disputa outras três categorias, incluindo Melhor Filme, a mais cobiçada da noite.
Mais do que o reconhecimento artístico, a presença do ator na temporada de premiações também revela bastidores pouco conhecidos da carreira internacional de artistas brasileiros. Entre eles, um detalhe curioso chamou atenção: o apoio fundamental de Pedro Pascal, recentemente alvo de especulações de um relacionamento gay com diretor de cinema, durante o processo que permitiu que o cônjuge de Sandra Delgado pudesse morar e trabalhar legalmente nos Estados Unidos.
A história veio à tona após uma revelação feita pelo próprio Wagner Moura em entrevista ao podcast "Happy Sad Confused". Na conversa, o ator contou que recebeu ajuda direta de Pedro Pascal durante seu processo migratório para os Estados Unidos.
Segundo Moura, o ator chileno escreveu uma carta de recomendação destinada às autoridades migratórias americanas para reforçar seu pedido de visto. O gesto acabou sendo decisivo naquele momento da carreira.
"Eu estava tentando vir para cá e trabalhar aqui e pedi para Pedro escrever uma carta dizendo que sou um bom ser humano. Ele realmente me ajudou com isso", afirmou Wagner Moura, conforme relato feito durante a entrevista ao podcast.
Os dois artistas se conheceram durante as gravações da série "Narcos", produção da Netflix em que o brasileiro interpretou o famoso narcotraficante Pablo Escobar. Apesar de não terem contracenado diretamente, a convivência nos bastidores acabou se transformando em amizade.
A revelação de Wagner Moura também ajuda a explicar um ponto pouco comentado sobre a carreira de artistas estrangeiros em Hollywood: a burocracia para conseguir autorização de trabalho nos Estados Unidos. De acordo com Fabiano Rocha, CEO e fundador da Jumpstart, consultoria especializada em vistos para profissionais e empreendedores, cartas de recomendação de nomes relevantes da indústria podem ter grande peso nesses processos.
Segundo ele, profissionais do cinema com reconhecimento internacional costumam solicitar o visto O-1, destinado a pessoas com "habilidades extraordinárias" nas áreas de artes, ciência, esportes ou entretenimento.
"Profissionais do cinema com reconhecimento internacional costumam recorrer ao visto O-1, voltado a pessoas com habilidades extraordinárias, que exige comprovação de trajetória relevante e cartas de recomendação de nomes reconhecidos da indústria", explicou Fabiano Rocha.
Nos últimos anos, Wagner Moura passou a dividir sua vida entre o Brasil e os Estados Unidos, onde vive com a família enquanto desenvolve projetos internacionais. Esse movimento acompanha uma tendência cada vez mais comum na indústria audiovisual, com talentos latino-americanos ganhando espaço em produções globais.
O especialista também destacou que, quando o profissional passa a viver por períodos mais longos nos Estados Unidos, muitas vezes com família e projetos frequentes, pode buscar outra alternativa migratória.
"Também é comum a busca pelo EB2-NIW, uma categoria de green card concedida a profissionais altamente qualificados cujo trabalho é considerado de interesse nacional", acrescentou o CEO da Jumpstart.
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