Para muita gente, ganhar uma indicação ao Oscar pode significar a maior conquista de uma vida inteira! Mas, para Wagner Moura, apesar de grato, a situação é diferente. O astro de “O Agente Secreto” sabe muito bem como “desviar” da armadilha do ego e voltar à “vida real”, como ele mesmo explicou. Aos detalhes, minha gente!
Conhecidíssimo do público brasileiro desde os anos 90, colecionando filmes, séries e novelas de sucesso como “Paraíso Tropical”, “Carandiru”, “Tropa de Elite” e “Saneamento Básico – O Filme”, Moura construiu uma das carreiras mais sólidas e respeitadas da sua geração. O fenômeno “Tropa de Elite” o transformou em um rosto popular em todo o país, mas a virada internacional começou alguns anos depois.
Sua estreia em Hollywood veio com “Elysium” (2013), ao lado de Matt Damon e Jodie Foster. Já o divisor de águas global foi “Narcos” (2015–2016), da Netflix. Vivendo Pablo Escobar, Moura impressionou público e crítica, aprendeu espanhol para o papel e colocou de vez seu nome no radar da indústria norte-americana - desempenho que lhe rendeu, inclusive, indicação ao Globo de Ouro e abriu portas para produções fora do Brasil.
Esse caminho culmina agora em “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, um thriller político que vem sendo celebrado no circuito internacional e reforça a força do cinema brasileiro no exterior. É com esse trabalho que Moura vive o auge do reconhecimento da carreira. “Profissionalmente, este é provavelmente o momento de maior reconhecimento da minha carreira. Mas a vida não para”, disparou o ator em entrevista à Variety.
“[Após a indicação] abracei minha esposa e meus filhos, e então a vida continuou. Isso me mantém no chão. [...] Este é um momento lindo, principalmente porque é um filme brasileiro que recebe essa atenção. Estou realmente feliz. Mas já estou por aí há tempo suficiente para entender que isso não é a vida real. Assim que a excitação passa, sou marido e pai novamente”, continuou.
Ou seja, o ator se mantém “são” e real por conta da família: a esposa, a jornalista Sandra Delgado, e os três filhos. Um homem de família que não se rende às vaidades da fama. Lindo isso!
No bate-papo, Moura também celebrou o momento especial do cinema brasileiro no cenário internacional, lembrando como produções nacionais voltaram a ganhar espaço e prestígio lá fora. Para ele, esse reconhecimento tem um peso simbólico enorme, principalmente depois de anos em que a classe artística foi alvo de ataques e desvalorização no país.
“E o Brasil agora tem um governo que é favorável à cultura, aos filmes. Ver brasileiros se reunindo ao redor de filmes culturais, dizendo ‘esses artistas nos representam’, é lindo”, afirmou. O ator ainda refletiu sobre como o discurso contra o financiamento público da cultura marcou um período recente da política brasileira e como a retomada desse apoio ajuda a recolocar o audiovisual do país no mapa mundial.
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