A Geração Z está tendo dificuldade em aceitar 'ser adulto': é normal que se sintam como crianças eternas
Publicado em 20 de maio de 2026 às 11:19
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
A tendência de adiar os marcos importantes da vida adulta tornou-se uma realidade incontornável para muitos
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Há meio século, aos 21 anos, você já tinha saído da casa dos pais, tinha um emprego e talvez até estivesse começando uma família. 

A Geração Z está adiando marcos importantes da vida, e isso faz com que sejam rotulados de preguiçosos. Mas a realidade é que os 30 não são os novos 20 por um capricho dos jovens, e sim por um contexto que os persegue e sufoca, levando-os a viver muito mais devagar do que as gerações anteriores. 

A Geração Z está atrasada?

Uma geração que está atrasada. De acordo com o último relatório do Conselho da Juventude da Espanha (CJE), a idade média de emancipação dos jovens espanhóis é de 30,4 anos, o valor mais alto dos últimos 20 anos e um dos mais altos da Europa. Nossos pais, nessa mesma idade, não só já tinham comprado sua primeira casa, como também tinham filhos e um emprego estável. 

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Hoje, os jovens entram mais tarde no mercado de trabalho, sendo que a alta na Previdência Social ocorre aos 22 anos, segundo dados do INE, e todos conhecemos algum baby boomer que começou a trabalhar quando ainda não tinha nem 15 anos.

A maternidade também se atrasou e a idade média não parou de aumentar ao longo das últimas décadas. Em 1976, era de 28,51 anos e agora já é de 33,15 anos. Esse atraso é algo que se observa até mesmo na idade em que a Geração Z tira a carteira de motorista, entre 20 e 23 anos, contra os 18 anos de um quarto de século atrás. Muito mais tarde do que a geração Y ou a Geração X.

O motivo pelo qual a vida adulta se adia não é a imaturidade. O atraso nos marcos vitais da Geração Z responde a mais de um fator. Desde a precariedade no mercado de trabalho e o alto custo da moradia, que tornam quase impossível que exista sequer a possibilidade de se emancipar cedo, até o prolongamento dos estudos, que alongam a etapa formativa. De acordo com dados da OCDE, a idade média de conclusão da formação é de 24 anos, por isso não é de se estranhar que a Geração Z comece a trabalhar mais tarde. 

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A superproteção da Geração Z

Para alguns especialistas, também existe uma superproteção da Geração Z e, do ponto de vista psicológico, a incerteza diante de um futuro percebido como instável pesa muito, o que os leva a adiar essas decisões para “explorar”. Não se trata de uma simples rejeição à vida adulta, mas de uma adaptação ao contexto que os rodeia. 

A geração Z não sente a necessidade de correr para se tornar adulta, e isso os torna a geração do “levar na calma”.

A nova vida adulta: fraqueza ou adaptação? 

Para muitos jovens da geração Z, a vida adulta começa aos 27 anos, pois muitos acreditam que a independência financeira e a segurança no emprego são características da vida adulta e, como vimos, para eles não há independência nem segurança financeira. 

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Essa percepção contrasta com a de décadas passadas, em que, aos 20 anos, o habitual era constituir família e se tornar independente, pois tinham um emprego estável e dinheiro suficiente para isso. 

Esse fenômeno nos lembra o surgimento da adolescência no início do século XX, quando a sociedade criou uma fase intermediária entre a infância e a idade adulta, prolongando artificialmente a juventude. 

Hoje, parece estar surgindo mais uma extensão dessa fase, que se situaria entre a adolescência e a idade adulta. Biologicamente, são adultos, mas as decisões vitais importantes dessa idade são adiadas, criando uma nova definição do que é “ser adulto”. Essa resistência ao amadurecimento é uma fraqueza ou uma adaptação lógica?

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As consequências positivas e negativas de adiar a vida adulta. Essa ideia de que “os 30 são os novos 20” tem efeitos sociológicos tanto positivos quanto negativos. 

É verdade que a Geração Z dedica mais tempo à formação e à exploração de diferentes opções pessoais e profissionais antes de assumir compromissos definitivos, o que poderia nos levar a pensar que as decisões são mais ponderadas e o desenvolvimento pessoal, mais amplo. 

Mas há efeitos negativos decorrentes da assimetria com as expectativas sociais, provocando maior ansiedade e frustração. 

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A isso se soma o constante atrito entre gerações com pais ou avós que não compreendem que o nosso ritmo de vida é diferente. Nós, nascidos entre 1981 e 1993, teremos uma vida melhor do que a de nossos pais em aspectos sociais como lazer, cultura, acesso à informação, liberdade ou igualdade de gênero, mas a Geração Z continua sendo julgada como preguiçosa por não atender às expectativas ou não levar a vida que antes se levava nessa idade. 

É claro que a diferença entre a juventude de 50 anos atrás e a de hoje é mais evidente do que nunca, mas talvez isso seja apenas fruto da vida que a geração Z teve de viver.

O que é ser “adulto” na verdade? Se antes considerávamos que era mudar de casa, casar e ter filhos, a realidade econômica, mas também social, fez com que esses marcos não se tornassem um caminho inevitável. 

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O sabor da primeira fase da vida adulta para as novas gerações é, basicamente, poder pagar o aluguel de um quarto. O resto parece, para muitos deles, inatingível.

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