Sabe aquela sensação de ligar a televisão e reconhecer imediatamente uma personagem? Antes mesmo de a atriz abrir a boca, você já sabe qual energia vai trazer para a novela.
No universo da teledramaturgia, isso acontece com frequência, pois algumas artistas se tornam tão boas em determinados tipos de papel que acabam criando uma espécie de assinatura artística.
E isso não significa falta de talento ou de versatilidade. Mas existe um motivo para autores e diretores voltarem a escalá-las para funções parecidas: elas dominam esses arquétipos como poucas pessoas.
O resultado é que o público cria uma relação afetiva com esses papéis. E, sinceramente, por mais que esperamos ver essas atrizes em arquétipos diferentes, bem que nos acostumamos e gostamos de vê-las naquilo que elas já têm domínio. Vamos à lista!
Poucas atrizes conseguem interpretar mulheres ricas com crises emocionais de forma tão intensa quanto Deborah Evelyn. Seja em 'Celebridade', 'Páginas da Vida' ou em 'Quem Ama Cuida', suas personagens geralmente pertencem à elite, gostam de controlar tudo ao redor e vivem conflitos familiares intensos.
Se existe uma atriz que transformou a mulher forte em marca registrada, essa é Susana Vieira. Rica ou pobre, vilã ou mocinha, suas personagens costumam ter personalidade avassaladora, autoestima elevada e uma capacidade impressionante de colocar qualquer um em seu devido lugar.
Mas é claro que o público ama vê-la má, como a inesquecível Branca de 'Por Amor', ou dominante como a Maria do Carmo de 'Senhora do Destino'.
Durante décadas, Regina Duarte construiu a imagem da mulher íntegra, romântica e resiliente. Suas personagens costumam enfrentar injustiças, decepções e grandes dramas pessoais, mas raramente perdem a dignidade.
Foi assim em diversas novelas e especialmente nas inesquecíveis Helenas de Manoel Carlos. Regina virou praticamente um símbolo da protagonista pela qual o telespectador torce sem pensar duas vezes.
Malu Mader criou um modelo de protagonista moderna na televisão brasileira. Inteligente, sofisticada, firme e racional, suas personagens costumam enfrentar os problemas sem exageros emocionais.
Em novelas como 'Top Model', 'Anos Rebeldes', 'Celebridade' e 'Ti Ti Ti', ela consolidou essa imagem de mulher forte que resolve conflitos usando inteligência e não apenas emoção. Curiosamente, em 2013 o público estranhou vê-la como a garçonete Rosemere na novela 'Sangue Bom'.
Arlete Salles, que viveu recentemente a Josefa na novela 'Três Graças', virou referência quando o assunto é interpretar mulheres maduras cheias de alegria. Suas personagens costumam ser engraçadas, espontâneas, modernas e frequentemente mais animadas do que os jovens ao redor. A divertida Copélia de 'Toma Lá Dá Cá' que o diga!
É praticamente impossível imaginar Tatá Werneck sem pensar no numor sem filtro da artista que chega à sua sexta novela com 'Quem Ama Cuida'. completamente sem filtro. Seja Valdirene, Fedora, Anely ou Brigitte, existe sempre aquela energia acelerada que perturba alguns, mas encanta outros.
Vinda do teatro e da comédia, Grace Gianoukas encontrou um terreno fértil nas personagens extravagantes. Suas mulheres costumam ser dramáticas, espalhafatosas, autoritárias e absolutamente divertidas.
Mesmo quando fazem papel de dondocas arrogantes ou socialites falidas, suas personagens raramente passam despercebidas.
Embora seja versátil, o que lhe rendeu ramas inesquecíveis como Diná de 'A Viagem' e 'Helena de 'Mulheres Apaixonadas', Christiane Torloni ficou marcada por peruas exóticas. Haydée ('América)', Tereza Cristina ('Fina Estampa'), Melissa Cadore ('Caminho das Índias'), Rebeca Bianchi ('Ti Ti Ti')'e Laila ('Um Anjo Caiu do Céu') não mentem o esterótipo marcante da atriz de 69 anos.