Uma das maiores lendas do cinema, Christopher Reeve teve sua imagem frequentemente associada à do próprio super-herói altruísta e corajoso que interpretava nas telonas.
Embora tivesse começado a atuar ainda adolescente, foi ao assumir o papel do icônico personagem da DC Comics em “Superman: O Filme” (1978) que sua vida mudou para sempre.
O longa-metragem o levou ao seleto grupo das grandes estrelas de Hollywood e tornou praticamente inseparáveis, aos olhos do público, as imagens do ator e do herói.
Seu porte atlético e sua beleza contribuíram para essa identificação, assim como a maneira inteligente e gentil com que se expressava nas entrevistas — características que ajudaram Reeve a conquistar a admiração de milhões de pessoas.
Na época em que promovia o longa-metragem, uma das perguntas que o ator mais ouvia dos jornalistas era justamente: “O que é um herói?” Em sua autobiografia, “Still Me”, publicada em 1998, ele recordou a resposta que costumava repetir:
“Minha resposta era que um herói é alguém que pratica um ato de coragem sem considerar as consequências.”
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Naquele momento, a concepção de heroísmo de Christopher Reeve ainda estava ligada aos grandes gestos de bravura. Anos mais tarde, porém, um grave acidente faria o ator repensar completamente essa definição.
Em maio de 1995, Reeve sofreu um grave acidente durante uma competição de hipismo. Ao cair do cavalo, fraturou as primeiras vértebras cervicais e ficou tetraplégico, passando a depender de um respirador para viver.
O ocorrido transformou sua rotina, mas não o afastou da vida pública. Depois de um período de recuperação, Reeve se tornou um dos principais ativistas pela ampliação dos direitos das pessoas com deficiência e pelo financiamento de pesquisas relacionadas a lesões na medula espinhal.
A determinação com que enfrentou sua nova realidade fez com que o público enxergasse ainda mais nele as características de um herói.
Já não se tratava do homem aparentemente invencível que voava pelos céus usando uma capa vermelha, mas de alguém que, diante de limitações e obstáculos imensos, encontrou forças para continuar lutando por si mesmo e por outras pessoas.
A experiência também modificou a maneira como o próprio Reeve entendia o heroísmo. Em “Still Me”, logo depois de recordar sua antiga resposta aos jornalistas, ele escreveu:
“Agora, minha definição é completamente diferente. Acho que um herói é uma pessoa comum que encontra forças para perseverar e resistir apesar de obstáculos esmagadores.”
Assim, sem poderes extraordinários ou feitos cinematográficos, Christopher Reeve acabou se aproximando ainda mais do símbolo que marcou sua carreira. Não por um único ato de coragem, mas pela força que encontrou para continuar avançando diante de obstáculos que pareciam insuperáveis.