Nem mesmo as grandes estrelas de Hollywood, que viveram grandes experiências dentro e fora dos sets, são imunes à passagem do tempo.
A prova disso está em uma declaração recente de Brad Pitt, que deu um conselho curioso a um repórter da Esquire que o acompanhou ao longo de um dia para uma extensa entrevista para a publicação.
Ao descobrir que o jornalista tinha onze anos a menos do que o ator, atualmente com 62 anos, Brad Pitt foi categórico.
“Meu Deus, eu queria meus cinquenta anos de volta”, disse, fixando o olhar no jornalista por um momento. “Eu faria mais. Os cinquenta anos são simplesmente... cara, qualquer coisa que esteja na sua cabeça, vá em frente. Vá atrás. Vá atrás agora”, finalizou.
Nascido em Shawnee, Oklahoma, o ator e produtor estadunidense começou sua carreira no final dos anos 1980 e ganhou seu primeiro grande reconhecimento como J.D. em “Thelma & Louise” (1991).
A partir daí, emplacou sucessos como “Entrevista com o Vampiro” (1994), “Seven: Os Sete Crimes Capitais” (1995), “Clube da Luta” (1999), “Onze Homens e Um Segredo” (2001), “Sr. & Sra. Smith” (2005), “O Curioso Caso de Benjamin Button” (2008) e “Era Uma Vez em Hollywood” (2019), consolidando-se como uma das maiores estrelas de Hollywood.
São quase quatro décadas de carreira, dezenas de personagens, um Oscar de atuação e uma trajetória pessoal igualmente marcada por altos e baixos.
Pitt manteve um relacionamento de cerca de uma década com Angelina Jolie, que terminou em um divórcio longo e público, e passou por um período de distanciamento dos filhos. O ator também já falou sobre seus problemas com o álcool e os anos de abstinência.
Ainda assim, ou talvez justamente por tudo isso, o ator parece ter uma percepção muito clara de que o tempo não espera.
Na entrevista à Esquire, essa consciência aparece também quando Pitt fala sobre alguns dos grandes atores que o antecederam. Robert Redford, Paul Newman, Gene Hackman, Robert Duvall e Donald Sutherland são alguns dos nomes que ele cita ao refletir sobre uma geração que funcionava como uma espécie de referência para os atores mais jovens.
Agora, muitos deles se foram, e Pitt percebe que passou a ocupar o lugar que antes pertencia a eles.
“É uma passagem estranha. Havia uma proteção reconfortante sobre nós, e agora, com a partida deles, é como perder os pais. Você é a última parada”, refletiu.
Aos 62 anos, portanto, Pitt não parece apenas olhar para o passado. Ele também olha para o tempo que ainda tem pela frente.
E é justamente aí que sua frase sobre os 50 ganha outra dimensão. Não se trata necessariamente do arrependimento de quem acredita ter vivido pouco, mas da percepção de que mesmo uma vida extraordinária pode deixar a sensação de que ainda havia mais a fazer, experimentar ou dizer.