Um calçado voltou a chamar atenção no tapete vermelho, e dessa vez foi a escolha de Margaret Qualley, que apostou em um sapato nada convencional para a estreia do filme "Ponto Sem Retorno", realizada nesta quinta-feira (20), em Londres. Conhecido como "barefoot sandal", ou "sandália descalça", o modelo da Chanel cobre apenas o calcanhar e deixa os dedos completamente expostos. O efeito visual é justamente o que tem provocado comentários: visto de frente, o calçado cria a impressão de que a pessoa está simplesmente descalça.
Para a première, segundo informações da Vogue, a atriz apostou em um vestido preto decotado com franjas, usou os cabelos escuros soltos e completou a produção com as inusitadas sandálias da maison francesa, assinadas pelo atual diretor criativo, Matthieu Blazy. O modelo faz parte da coleção Cruise 2027, apresentada em Biarritz, e cobre somente a parte traseira dos pés.
A proposta chama atenção justamente por fugir da estrutura tradicional de uma sandália. Em vez de cobrir parte dos dedos ou utilizar tiras na região frontal, o modelo deixa essa área totalmente livre e concentra o acabamento apenas no calcanhar.
Quando a peça foi apresentada pela primeira vez, em abril, a novidade também provocou reações entre profissionais da Vogue. Uma funcionária classificou a criação como uma extravagância "atrevida e divertida". Outra, no entanto, revelou uma reação bem diferente diante da proposta e admitiu: "Fiquei com medo, não estou preparada para fazer pedicure".
A declaração resume uma das questões que o modelo inevitavelmente coloca em evidência: se a ideia é parecer que os pés estão descalços, qualquer detalhe da pedicure acaba ficando ainda mais exposto.
A excentricidade nos pés não é exatamente uma novidade no mundo da moda. A própria história da sapatilha Tabi, associada à Maison Martin Margiela, mostra como um calçado considerado estranho pode se transformar em um dos modelos mais reconhecidos da moda.
Segundo a Elle, a história da Tabi remonta ao desfile de estreia da Maison Martin Margiela, realizado em Paris, em 1988. Na ocasião, as modelos caminhavam sobre uma passarela branca montada no Café de la Gare, conhecido teatro marginal da cidade, deixando pegadas vermelhas no chão.
O formato chamava atenção porque não lembrava um calçado convencional. A marca deixada pelas modelos tinha aparência semelhante à de uma pegada de camelo, com uma divisão entre os dedos, antecipando uma das características mais famosas da bota Tabi.
Desde então, o modelo passou a aparecer nos pés de celebridades ao redor do mundo e continuou despertando curiosidade justamente por seu formato incomum.
No Brasil, a Tabi voltou a provocar comentários recentemente. Em janeiro, o ator Wagner Moura escolheu o polêmico modelo para o Globo de Ouro 2026. O ator baiano, que conquistou o prêmio de melhor ator em filme de drama, apostou em uma produção inteira da Maison Margiela e incluiu a Tabi no visual. A escolha ajudou a colocar novamente o controverso calçado no centro das atenções do público brasileiro.
Agora, com Margaret Qualley levando aos holofotes uma sandália que praticamente desaparece aos olhos e deixa os dedos completamente à mostra, a moda apresenta mais uma proposta capaz de dividir opiniões. Se a Tabi chamou atenção por separar os dedos, a nova criação da Chanel aposta justamente no efeito contrário: fazer parecer que o restante do calçado simplesmente não existe.