Um novo desafio que vem ganhando força no TikTok tem alarmado profissionais de saúde. Batizado de “Dieta das Princesas da Disney”, o método promete emagrecimento rápido inspirado em personagens como Cinderela, Ariel e Branca de Neve, mas esconde práticas extremamente perigosas para o corpo e a mente.
Com hashtags como #disneydiet, #princessdiet e #disneyprincessdiet, o conteúdo vem sendo amplamente compartilhado entre adolescentes e jovens adultos, especialmente por seu apelo estético e pela associação com o universo encantado das princesas. No entanto, o que parece inofensivo nas redes sociais representa um risco grave à saúde.
Segundo a Dra. Karen de Isidro, nutricionista e colaboradora da Doctoralia, esta dieta é especialmente perigosa devido à sua embalagem aparentemente inofensiva:
"Essas dietas usam nomes doces e referências culturais familiares para mascarar comportamentos que podem levar a sérios problemas de saúde. Essas mensagens são altamente prejudiciais, especialmente entre populações vulneráveis, como adolescentes".
A chamada “Dieta das Princesas” propõe uma rotina alimentar específica para cada personagem. A de Ariel, a Pequena Sereia, consiste em um dia inteiro de jejum, o que pode causar hipoglicemia, fraqueza severa e até arritmias. Já a de Pocahontas incentiva o consumo exclusivo de alimentos crus, restringindo proteínas essenciais e dificultando a digestão.
Outras versões seguem o mesmo padrão extremo: a dieta de Branca de Neve permite apenas o consumo de maçãs; a de Cinderela limita as refeições a 550 calorias e proíbe comer após 12 horas; Bela, de A Bela e a Fera, baseia-se apenas em chás com efeito diurético ou laxante; e a de Rapunzel propõe ingerir vinagre de maçã em jejum e substituir refeições por água.
Entre as consequências imediatas estão tontura, fadiga, perda de concentração, irritabilidade e alterações de humor. A longo prazo, os danos podem incluir queda de cabelo, fraqueza muscular, distúrbios gastrointestinais e redução do metabolismo.
A médica alerta que a prática “favorece o desenvolvimento de transtornos alimentares (TAs), como anorexia nervosa, bulimia ou compulsão alimentar periódica, pois promove uma relação disfuncional com a comida e com o próprio corpo".
Especialistas reforçam que o perigo é ainda maior entre adolescentes, público mais suscetível às tendências virais e à pressão estética. Entre os riscos mais graves estão interrupção do crescimento, distúrbios hormonais, deficiência nutricional, problemas de aprendizagem e aumento da vulnerabilidade emocional, incluindo sintomas de depressão e baixa autoestima.
Por trás do brilho das princesas da Disney, o alerta é claro: seguir modismos que prometem resultados rápidos pode transformar um conto de fadas em um pesadelo para a saúde.