Se você está acompanhando as emoções de "Dona Beja", pode até ter passado batido por um detalhe que diz muito mais do que parece... Mas, para quem é atento a símbolos, referências visuais e escolhas de figurino, a pista está ali, pendurada no pescoço da protagonista vivida por Grazi Massafera!
A icônica “mulher-dama”, como a sociedade moralista de Araxá insiste em rotular Beja, usa um colar-relicário carregado de significado e ele não está ali por acaso. A peça cria uma ponte direta com a novela "Três Graças" e, consequentemente, com Arminda, a temida Dona Cobra. Deu para perceber?
Pois é! Dona Beja e Dona Cobra estão muito mais conectadas do que o público imagina. E não apenas pelo fato de ambas serem interpretadas pela mesma atriz, que fez história no "Big Brother Brasil". A ligação passa por algo mais simbólico... quase ritualístico.
O relicário usado por Beja traz a imagem de Aglaia, Eufrósina e Tália, figuras centrais da mitologia grega conhecidas como as Três Graças. Elas personificam beleza, alegria, abundância e harmonia, virtudes associadas tanto à sedução quanto ao poder feminino. Não reconheceu de imediato? São justamente elas que inspiram a estátua central da trama de "Três Graças", novela criada por Aguinaldo Silva. Tudo conectado, minha gente! É mole?
O mesmo símbolo mitológico que atravessa Dona Beja e Três Graças também aparece, com outra roupagem, no universo da Marvel. Em "Agatha Desde Sempre" - série derivada de WandaVision -, a feiticeira Agatha Harkness, vivida por Kathryn Hahn, usa um broche-relicário antigo que se tornou um dos símbolos visuais mais marcantes da personagem.
A peça, que remete a um camafeu clássico, traz três figuras femininas em movimento - frequentemente interpretadas como bruxas ou entidades ancestrais. Não há confirmação oficial de que sejam as Três Graças, mas o paralelo simbólico é inevitável: mulheres ligadas por poder, conhecimento e sobrevivência ao longo do tempo.
Nos três universos (o histórico, o mitológico e o fantástico), o colar deixa de ser um simples acessório. Ele vira linguagem. Em "Dona Beja", funciona como marca de identidade e autonomia feminina em uma sociedade que tenta enquadrá-la. Em "Três Graças", traduz a força da união entre mulheres moldadas por dor, ambição e desejo. Já em "Agatha Desde Sempre", representa a herança de um poder antigo, feminino e indomável.