Virgínia Fonseca segue causando polêmica envolvendo o nome da Grande Rio, escola da qual se tornou rainha de bateria em 2026. Agora, o bafafá da vez não tem relação direta com samba no pé (assunto que já vinha rendendo críticas desde que ela assumiu o posto após Paolla Oliveira), mas com algo ainda mais sensível: o sentido político, social e cultural do enredo que a escola levará para a Marquês de Sapucaí.
Na sexta-feira (30), a influenciadora publicou nos stories do Instagram uma publicidade da casa de apostas Blaze. Até aí, nada de novo... O problema é o contexto. Virgínia apareceu vestindo uma camisa de Chico Science, um dos principais símbolos do Manguebeat, movimento cultural pernambucano que será celebrado pela Grande Rio no Carnaval de 2026. A reação nas redes, claro, foi imediata e bem dura!
O enredo da tricolor de Duque de Caxias, batizado de “A Nação do Mangue”, propõe um mergulho nos manguezais do Recife para traçar paralelos entre as periferias do Nordeste e da Baixada Fluminense. Não é só estética... É um discurso poderoso, crítica social, denúncia das desigualdades, da exploração, da marginalização histórica de quem vive “na lama”, mas produz cultura, pensamento e resistência.
O Manguebeat nunca foi sobre figurino bonito ou conceito vazio. Foi sobre pertencimento, consciência social e enfrentamento. E é justamente aí que a presença da Blaze entra como um curto-circuito simbólico bem difícil de ignorar, viu?
Nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), usuários passaram a resgatar versos do próprio samba-enredo da escola para criticar a postura da rainha de bateria. “Freire, ensine um país analfabeto que não entendeu o manifesto da consciência social”, diz um trecho da obra. A ironia virou munição. Para muita gente, Virgínia parece ser a personificação da crítica: alguém que veste o símbolo, mas ignora o conteúdo. Eita!
“Ela não entendeu nada do samba que está representando”, escreveu um internauta. “Divulgar casa de aposta com a camisa do Chico Science e sendo rainha de uma escola que vai defender o Manguebeat e lutar contra a desigualdade social foi a gota d’água”, disparou outro.
A indignação não vem do nada. O Manguebeat nasceu nos anos 1990 justamente para denunciar a miséria estrutural de Pernambuco, a exclusão social e a exploração econômica. Chico Science falava de caranguejos, gabirus, lama, lixo e sobrevivência porque falava de gente real, esmagada por um sistema que lucra enquanto empurra o povo para o fundo.
Casas de apostas, hoje, ocupam um lugar semelhante no debate público, já que lucram alto enquanto drenam renda, especialmente de jovens e pessoas vulneráveis... muitas delas das mesmas periferias romantizadas no discurso carnavalesco.
Daí a acusação recorrente de apropriação estética sem ética. “Chico Science não é um conceito visual para ser usado sem responsabilidade”, escreveu um usuário. “O movimento Manguebeat é sobre substância. Ela ignora tudo isso e usa como vitrine para divulgar um negócio que ganha dinheiro em cima do povo".
Há também o fator alcance! Virgínia não é uma influenciadora qualquer. Seus stories chegam facilmente a milhões de visualizações. Como lembrou um internauta, ela “não precisa desse dinheiro”, mas ainda assim escolhe continuar promovendo apostas, mesmo após ter sido chamada para depor na CPI das Bets e dizer que “vai pensar” se deixará esse tipo de publicidade. Complicado defender, viu, loira?
É claro que parte da responsabilidade também é da própria web, que consome, compartilha e amplifica esse conteúdo. O linchamento virtual, muitas vezes, ultrapassa o limite da crítica e escorrega para o ataque pessoal. Mas ignorar a contradição simbólica seria desonesto. No Carnaval, especialmente, símbolos importam. Fantasia é discurso. Samba é manifesto. E o posto de rainha de bateria, goste-se ou não, deixou de ser apenas decorativo há muito tempo...