A morte de Oscar Schmidt, aos 68 anos, nesta sexta-feira (17), reacendeu o interesse do público não apenas por sua trajetória histórica no basquete, mas também por um capítulo mais íntimo e igualmente marcante: a relação de mais de 50 anos com a esposa, Maria Cristina Victorino Schmidt.
Discreta e longe dos holofotes, ela esteve ao lado do ex-atleta desde antes da fama, acompanhando todas as fases de sua vida, das primeiras lesões ainda jovem até os momentos mais delicados de saúde.
A história dos dois começou em 1974, quando ambos tinham apenas 17 anos. Na época, Oscar ainda dava os primeiros passos no basquete e vivia longe do reconhecimento internacional.
O primeiro contato, no entanto, passou longe de um romance à primeira vista. Em participação no programa "Altas Horas", em 2019, Maria Cristina relembrou que não se interessou por ele inicialmente: “Eu morava em frente a república onde ele morava. Ele saia e eu nem olhava para ele. Achava ele antipático. Só tinha jogador de basquete lá e eu não queria conhecer ninguém. Mas eu gostava muito de basquete. Aí foi indo, foi indo...”.
A aproximação veio pouco depois, em um momento delicado da vida do atleta. Segundo o relato dela, ele enfrentava uma lesão séria. “Ele quebrou o pé, rompeu o tendão e estava arriscado a nunca mais jogar. Amigos e ai... 44 anos juntos”, contou Maria Cristina no programa.
Outras entrevistas ajudam a completar esse início quase casual que acabou se transformando em uma história de décadas. O próprio Oscar relembrou que, na época, se recuperava de uma cirurgia e dependia de muletas. Foi nesse contexto que Maria Cristina passou a ajudá-lo no dia a dia.
“Tinha 17 anos e estava com o joelho machucado, andando de muletas. Ela sempre pegava o ônibus na frente da minha casa e começou a me ajudar a subir no ônibus. Passamos a conversar e chamei ela para ir comigo nos treinos. Ela pegou as bolas da cesta para mim por uma semana, um mês… Achei lindo, ia ter gandula de graça a vida toda”, disse o ex-jogador em entrevista relembrada pelo Metrópoles.
A convivência constante - entre conversas, cuidados e treinos - acabou consolidando a relação que, pouco tempo depois, já se transformava em parceria de vida.
Com o passar dos anos, Maria Cristina se tornou mais do que companheira: foi uma base essencial na trajetória de Oscar Schmidt.
Enquanto ele construía uma carreira histórica - com participações em cinco Olimpíadas, recordes de pontuação e reconhecimento internacional -, ela assumia um papel fundamental fora das quadras, oferecendo suporte emocional em meio à pressão, mudanças de país e rotina intensa do esporte. Em entrevistas, o próprio atleta sempre fez questão de reconhecer essa importância.
Um dos momentos mais marcantes dessa relação aconteceu em 2013, quando Oscar foi incluído no Hall da Fama do basquete, em Springfield, nos Estados Unidos.
Durante um discurso de mais de 15 minutos, ele se emocionou ao falar da esposa: “Você é minha melhor amiga, a pessoa mais incrível que eu já conheci. E se você não estivesse comigo, eu não estaria aqui. Tenho certeza disso".
Apesar da fama de Oscar, a vida pessoal do casal sempre foi marcada pela discrição. Juntos, tiveram dois filhos: Felipe Schmidt, que seguiu no universo do basquete como treinador, e Stephanie Schmidt, que construiu carreira na psicologia. Ambos mantêm perfil reservado, assim como a mãe.
A força da relação ficou ainda mais evidente nos últimos anos. Após o diagnóstico de um tumor no cérebro, em 2011, Oscar enfrentou uma longa batalha pela saúde. Nesse período, Maria Cristina assumiu um papel central, tornando-se sua principal cuidadora e base emocional.
A parceria construída desde a juventude ganhou um novo significado, marcada por resistência, lealdade e presença constante.
Mesmo sendo reservado, Oscar Schmidt fez raras declarações públicas sobre a vida pessoal. Em uma delas, ao celebrar décadas ao lado da esposa, escreveu nas redes sociais: “50 anos de namoro e de muitas alegrias".