Criador da mais famosa turma do universo das histórias em quadrinhos, Mauricio de Sousa, o pai de Mônica (criada em 1963), Cebolinha, Magali e Cascão chega aos 90 anos no próximo dia 27. Paulista de Santa Isabel, o cartunista com mais de seis décadas de carreira teve sua trajetória retratada em cinebiografia com lançamento previsto para quinta-feira (23).
Ao longo de 63 anos, Mauricio viu sua extensa turma de mais de 200 criações ganhar vida no cinema, passar para a adolescência, e transformou Neymar em personagem dos populares e icônicos gibis. Além disso, abraçou a diversidade com tipos como Dorinha, deficiente visual, e Luca, que usa cadeira de rodas para se locomover.
Mas antes de se lançar como cartunista e encantar gerações seguidas de brasileiros, Mauricio foi repórter policial e funcionário de uma gravadora. Nessa época, a rotina que começava às 6h e se estendia até às 23h, após as aulas do então colegial, fez o pai da Turma da Mônica desenvolver uma paixão alimentar que o acompanha até os dias de hoje. Quer saber qual? O Purepeople te conta!
Em 2017, Mauricio lançou a biografia "A História que Não está no Gibi" e revelou ser apaixonado por comida fria. "Acho uma gostosura", afirmou o cartunista, pai de 10 filhos. "No dia a dia, acordava cedo, por volta das 6 horas, com o sol nascendo. Tomava banho, comia alguma coisinha, pegava o ônibus abarrotado e atravessava a cidade até o centro. O expediente começava às 8 horas e termina às 18h", detalhou.
"Saía então correndo da empresa, entrava em outro ônibus entupido e voltava para a Penha (bairro de São Paulo), onde ficavam minha casa e o colégio. As aulas começavam às 19h e eu chegava sempre em cima da hora. Comia um lanchinho na cantina da escola e ia direto para a sala. As aulas iam até as 23h. Aí pegava outro ônibus, que demorava a chegar, e desembarcava em casa meia hora depois, morrendo de fome", relatou Mauricio.
"Mamãe já estava dormindo, mas sempre me deixava um prato de comida na geladeira, que eu comia sem esquentar. Desde então acho comida fria uma gostosura. Até hoje o pessoal em casa briga comigo, mas não tem jeito: acostumei e acabei gostando", concluiu o artista, ocupante de uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras.