No dia 28 de junho, celebramos o Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, uma data mais do que necessária, principalmente em tempos em que o conservadorismo e os preconceitos relacionados à orientação sexual e identidade de gênero voltam a ganhar força em diferentes partes do mundo!
Para embalar o momento com conscientização e diversão, eu e meu namorado decidimos procurar por um filme levinho. Ninguém aguenta mais histórias em que personagens queer precisam sofrer do início ao fim, morrer ou adoecer para justificar sua existência!
Queríamos algo que remetesse a "Heartstopper", série que amamos acompanhar justamente por trazer aquele gostinho de sessão da tarde para um amor que, por tantas décadas, foi colocado na caixinha do "promíscuo" ou do "proibido".
Se você também amou a série da Netflix, tenho uma ótima notícia: existe um filme tão delicado quanto ela escondido no catálogo do Prime Video! E eu arrisco dizer que ele merece muito mais reconhecimento do que recebeu...
Clicando no Prime Video, você encontra "O Namorado da Minha Prima", lançado em 2023. A história gira em torno de Jamie (Isaac Krasner), um garoto de 14 anos que é convidado para uma viagem de acampamento com a família. No grupo estão a prima mais velha, outro primo e o novo namorado dela, Dan (David Johnson III), um jovem universitário que ele nunca viu antes.
Inicialmente, Jamie fica irritado ao descobrir que um estranho fará parte da viagem. Afinal, ele imaginava passar aqueles dias apenas com a família. Só que basta conhecer Dan para aquele incômodo dar lugar a uma sensação completamente nova e difícil de explicar!
É importante dizer isso porque o título pode enganar: "O Namorado da Minha Prima" não é um romance entre os dois personagens. Muito pelo contrário. O filme é extremamente cuidadoso ao mostrar que Dan jamais corresponde aos sentimentos de Jamie ou incentiva qualquer aproximação! A paixão existe apenas na cabeça do garoto, como acontece com tantas primeiras paixões da adolescência.
A ideia é mostrar tudo isso no olhar de desejo, nas mãos nervosas e suadas, no frio na barriga e no suspiro do primeiro amor. É o retrato de um menino que está descobrindo a própria sexualidade sem nem entender direito o que está sentindo. E é justamente por isso que o filme toca tanto! Principalmente se você faz parte da comunidade LGBTQIAPN+.
Acho que quase todo mundo já viveu esse momento da descoberta, não é mesmo? O medo de ser pego olhando para alguém, a tentativa de esconder o que sente, as fantasias antes de dormir e aquela paixão completamente inalcançável que, por algum motivo, parecia ocupar todos os pensamentos...
A obra mostra Jamie sonhando acordado com Dan, imaginando como seria sua vida se fosse mais velho e pudesse viver aquele amor. Entramos no mundo curioso, desengonçado e cheio de fantasias típicas de um adolescente que ainda tenta entender quem é.
Incentivado por um primo mais velho, ele até tenta se interessar por uma menina, como se quisesse convencer a si mesmo de que aquele sentimento não existe. Mas não funciona. E o filme nunca transforma isso em piada ou drama exagerado! Muito pelo contrário, trata esse processo com um carinho raro de encontrar.
Tal como "Heartstopper", são justamente as camadas mais sutis que fazem o filme ser tão especial. Não espere grandes reviravoltas ou declarações apaixonadas. Tudo acontece nos detalhes: um olhar que demora alguns segundos a mais, o silêncio constrangedor e aquela vontade quase desesperada de ser visto.
Se "Heartstopper" é uma história sobre dois adolescentes que descobrem o amor juntos, "O Namorado da Minha Prima" fala sobre aquilo que vem antes: o instante em que você finalmente percebe quem é.
Talvez seja por isso que a crítica internacional tenha abraçado o filme com tanto entusiasmo! No Rotten Tomatoes, ele conquistou impressionantes 100% de aprovação entre os críticos, que elogiaram justamente a delicadeza do roteiro e a forma respeitosa como retrata a descoberta da sexualidade.
A Variety destacou a sensibilidade do diretor Corey Sherman ao transformar uma história simples em algo memorável. Já o The Guardian definiu o longa como "delicado, único e sutilmente mágico", enquanto o The Hollywood Reporter elogiou a maneira como o filme captura as inseguranças e emoções da primeira paixão.
No IMDb, a nota é mais modesta: 6,6/10. Ainda assim, não acho que isso faça justiça ao filme! Talvez apenas mostre que ele nunca encontrou um público tão grande quanto "Heartstopper", fenômeno mundial da Netflix que acumula nota 8,5 no site e conquistou milhões de fãs justamente por mostrar que histórias LGBTQIAPN+ também podem ser leves, românticas e esperançosas.
Em tempos em que discursos de ódio voltam a ganhar espaço e a diversidade ainda precisa ser defendida todos os dias, talvez essa seja a maior qualidade dessas duas obras: lembrar que pessoas queer também merecem protagonizar histórias de afeto, ingenuidade e finais que deixam a gente sorrindo!