Flávio Bolsonaro pode parar na lista da Interpol? Polícia Federal avalia inclusão do pré-candidato à presidência por conta dos R$ 61 milhões de Vorcaro para filme
Publicado em 30 de julho de 2026 às 16:07
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
PF avalia incluir Flávio Bolsonaro na difusão prateada da Interpol para rastrear recursos ligados ao filme 'Dark Horse', cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada pelo ator Jim Caviezel, segundo O Globo
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A possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ser incluído na chamada difusão prateada da Interpol passou a integrar as discussões da Polícia Federal (PF) no âmbito de uma investigação que apura o destino de R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do filme "Dark Horse", produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, em reportagem do jornalista Patrik Camporez, publicada nesta quinta-feira (30). Segundo a publicação, ainda não existe um pedido formal para que o nome do senador seja incluído no mecanismo internacional, mas essa hipótese está sendo avaliada pelos investigadores.

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O que é a difusão prateada da Interpol e por que ela entrou na investigação?

Diferentemente da conhecida difusão vermelha, utilizada para localizar pessoas procuradas pela Justiça, a difusão prateada da Interpol foi criada em 2025 para facilitar o rastreamento de bens, ativos e recursos financeiros que possam estar no exterior e estejam relacionados a investigações criminais.

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De acordo com O Globo, a ferramenta foi usada pela primeira vez no início de 2025 contra um mafioso italiano e permite ampliar a cooperação entre autoridades de diferentes países na identificação de patrimônios e movimentações financeiras.

No caso envolvendo Flávio Bolsonaro, a medida passou a ser considerada após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de um inquérito para investigar o repasse milionário destinado ao longa-metragem.

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O que motivou a investigação?

Ainda segundo a reportagem de O Globo, a investigação ganhou força após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra de Daniel Vorcaro recursos destinados ao filme.

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Os investigadores trabalham com a hipótese, já mencionada por pessoas próximas ao senador, de que os R$ 61 milhões possam ter sido integralmente enviados ao exterior e que tenha ocorrido eventual desvio da finalidade originalmente prevista para os recursos. Até o momento, porém, essa suspeita segue sob investigação.

A avaliação da Polícia Federal, conforme noticiado pelo jornal, é que o senador poderá enfrentar dificuldades para comprovar a aplicação efetiva do dinheiro na produção cinematográfica. Em maio, após a divulgação do áudio, Flávio Bolsonaro afirmou que apresentaria uma prestação de contas sobre os valores, o que, segundo a reportagem, ainda não ocorreu.

Mesmo assim, os investigadores ressaltam que cabe à própria investigação demonstrar a existência ou não de eventual desvio de finalidade.

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© Reprodução, Instagram
Qual foi a resposta de Flávio Bolsonaro?

Em nota reproduzida por O Globo, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou que exista qualquer medida oficial nesse sentido.

Segundo o comunicado, não há "atos oficiais da Polícia Federal, do Poder Judiciário ou da própria Interpol que indiquem medida dessa natureza". A nota ainda acrescenta que "a divulgação de informações sobre eventuais medidas cautelares ou de cooperação internacional deve sempre se basear em documentos oficiais ou comunicações das autoridades competentes, evitando especulações que possam induzir a interpretações equivocadas, como exatamente faz a reportagem".

Quando vieram à tona as primeiras informações sobre o financiamento do filme, o senador também negou que os recursos tivessem sido destinados ao irmão, Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado que vive atualmente nos Estados Unidos.

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Na ocasião, afirmou ser "falsa a insinuação" e declarou que "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos".

© Getty Images, NurPhoto
Investigação pode ganhar alcance internacional

Segundo integrantes da investigação citados por O Globo, a inclusão de Flávio Bolsonaro na difusão prateada é considerada apenas uma alternativa, caso os instrumentos tradicionais de cooperação jurídica internacional não sejam suficientes para rastrear o caminho percorrido pelos recursos.

A reportagem também informa que a Polícia Federal pretende solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro no mesmo mecanismo internacional. Paralelamente, a corporação compartilha informações com o Banco Central, que atua na liquidação extrajudicial do Banco Master e busca localizar e bloquear ativos que possam ter sido desviados.

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Caso a difusão prateada seja autorizada, a Interpol poderá comunicar aos países onde existam suspeitas de patrimônio ou recursos vinculados aos investigados. As autoridades estrangeiras poderão localizar esses ativos e, conforme a legislação de cada país, informar sua existência às autoridades brasileiras ou até adotar medidas para bloqueá-los. Até o momento, porém, não há pedido formal apresentado nem decisão que determine a inclusão de Flávio Bolsonaro na lista da Interpol, conforme destacou a própria investigação citada por O Globo.

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