O primeiro dia do julgamento da morte de Diego Maradona foi marcado por um momento tenso, além da discussão entre a ex-namorada e a psiquiatra do jogador, réu no processo. O promotor Patricio Ferrari exibiu no tribunal uma foto do atleta já falecido, tirada poucos minutos depois do óbito.
Maradona ainda estava na cama de sua residência quando a foto foi tirada. O objetivo do promotor era mostrar o estado em que o jogador foi deixado pela equipe médica, acusada de negligência.
"Quem disser a vocês, juízes, que não perceberam o que estava acontecendo com Diego, está mentindo na cara de vocês se não disserem que participaram de um assassinato", disse o promotor.
Patricio ainda defendeu que Maradona foi transferido para casa sem estar em “pleno uso de suas faculdades mentais” e sem poder tomar decisões sobre sua saúde. Ele argumenta que a decisão de mantê-lo fora do hospital e sob cuidados médicos precários foi fundamental para sua morte.
“Foi uma internação domiciliar imprudente, deficiente e sem precedentes. Não houve controle algum durante o período que pôs fim à vida de Maradona", destacou.
Maradona sofreu um ataque cardíaco poucos dias depois de passar por uma cirurgia. O atleta foi submetido à operação para tratar um hematoma subdural no cérebro. A princípio, o falecimento foi classificado como natural. No entanto, um relatório médico independente apontou que o jogador agonizou por cerca de 12 horas, sem receber um atendimento adequado, o que poderia tê-lo salvado da morte. Segundo o documento, o argentino foi "abandonado à própria sorte".
O Departamento de Justiça da Argentina acusa os profissionais de saúde de “homicídio simples com dolo eventual” e apresenta provas de que a negligência deles causou a morte do ídolo do futebol. As penas podem chegar a 25 anos de prisão.
Sete profissionais estão entre os réus. São eles: um neurocirurgião, que era médico pessoal de Maradona, um clínico geral, uma médica coordenadora do plano de saúde, um chefe de enfermagem, um enfermeiro, uma psiquiatra e um psicólogo. Uma enfermeira completa a lista, mas vai a júri popular em julho.
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