Quem já assistiu a "Game of Thrones", sabe que os reinos e o Trono de Ferro nunca foram apenas o centro da rivalidade que envolvia amor e poder. A questão era bem mais pessoal. Na história, aos poucos, a libertadora compassiva Daenerys Targaryen de protetora dos indefesos deu lugar a uma pessoa com sede de controle, apresentando mudança no trato com os demais.
Isso deu a entender que uma verdade dos estudos da psicologia estava ao redor do seriado: quanto mais forte a vontade de poder, mais difícil era para o amor verdadeiro resistir. Já na vida real e fora das telas, a luta das pessoas consiste em equilibrar ambição, influência e conexão emocional.
Ou seja, existe um trabalho intenso ligado à construção de um futuro melhor tendo como base a esperança de dar proteção às suas famílias, a conquista do respeito ou a realização de sonhos ao longo de toda a vida.
Acontece que em algum momento do caminho, ao se correr atrás de poder, riqueza ou status existe o risco de se afastar de modo emocional dos próprios relacionamentos que até então lhe serviam como propósito. Foi dessa forma, partindo do complicado conflito do ser-humano que Carl Gustav Jung (1875-1961) fez uma reflexão de grande impacto envolvendo desde o amor à natureza humana passando pela dominação.
Nascido na Suíça, o psqiuiatra e psicanalista faria aniversário neste sábado (6) certa vez refletiu: "Onde reina o amor, não há vontade de poder, e onde o poder predomina, o amor está ausente. Um é a sombra do outro".
Descrita pelo "Goodreads", o pensamento de Jung, um dos pensadores de maior influência da psicologia moderna, joga intensa luz a respeito de amor e poder. Embora escrita há muitas décadas, a reflexão ainda ganha eco uma vez que atinge uma verdade do ser-humano: a tensão que põe em campos opostos conexão e controle.
Se analisarmos o pensamento de Carl Jung, veremos que amor e poder de forma constante carregam o Homem para lados diferentes. Aqueles que sentem amor de forma genuína querem ser igualmente respeitados e cuidados. E buscam também compreensão e empatia do outro.
O oposto se observa quando é o poder quem toma a frente da lista de prioridades. A concentração passa a se dar no controle, autoritarismo, status ou na dominância. Mas é preciso frisar que para o pensador, liderança ou ambição não são obrigatoriamente algo ruim.
Para Jung, na medida em que o busca pelo poder se fortalece, aquela conexão emocional verdadeira apresenta a tendência de enfraquecimento. Dessa forma, uma relação marcada por sentimentos como controle, medo ou manipulação na maioria das vezes passa a não contar com aquela importante sensação de calor.
Um exemplo são os pais que buscam o controle geral sobre os filhos. Sem querer, atingem a confiança deles. Da mesma forma que em uma relação um lado tenta dominar a relação e afeta a intimidade emocional.
Ou no trabalho quando líderes miram seus focos apenas na autoridade. Na maioria dos casos, não conseguem ser respeitados e nem conquistam a lealdade dos demais de forma genuína.
A tudo isso, o pensamento de Jung acrescenta que em alguns casos o ser-humano trava uma batalha dentro de si. Dor emocional, vulnerabilidade ou rejeição podem ser usadas como, digamos, uma desculpa para se optar pelo poder.
Em suma, enquanto o amor está ligado a um tipo de aberta, o poder em várias situações forma o oposto: uma distância no campo das emoções.
Fundador da psicologia analítica, Carl Gustav Jung nasceu nos arredores do Lago de Constança, na Suíça, em 1875 e cresceu em ambiente religioso. Isso foi fundamental para despertar no pensador o interesse aprofundado tanto pela mente humana quanto pela espiritualidade e seus símbolos.
Formado em psiquiatria, trabalhou em um hospital de Zurique, e estudou a obra de Freud. Ambos chegaram a ser parceiros no campo intelectual e o austríaco em um momento considerou Jung como um provável sucessor.
Porém, a relação estremeceu por conta de diferenças colossais de personalidades e ideias. Em 1913, o rompimento com Freud serviu de virada de chave para Jung. Após se dedicar à autoreflexão e exploração da psicologia, o suíço elaborou aqueles conceitos que seriam o de maior influência, entre eles o inconsciente coletivo, bem como a individuação e os arquétipos.
Era montada a psicologia analítica e Jung passou a ser descrito como um dos mais expoentes pensadores da psicologia do século passado.
Par o pscinalista, forças ocultas que vem do insconciente são quem influenciam a maior parte do comportamento do ser-humano. De forma constante se debruçava sobre os conflitos: lógica x emoção, medo x desejo e amor x controle.
A integração emocional e consciência em relação a si mesmo eram foco mais grosso de Jung. Para ele, o Homem é mais saudável quando confronta de forma honesta o seu lado oculto ao invés de negá-lo. Isso reflete a visão de mundo amplificada.
Jung tinha a compreensão que a vontade de poder em grande parte vem seja da insegurança, do medo ou até de conflitos com si mesmo não resolvidos. Por outro lado, o amor tem ligação com a maturidade emocional e a capacidade de se dar valor ao outro sem precisar do domínio.
De forma repetida, o equilíbrio é visto nos pensamentos de Jung, que descartava enxergar o crescimento psiocológico como o alcance da perfeição. E si de entender as forças complexas que em várias oportunidades estão na mente do Homem.
Na vida moderna, o pensamento de Jung segue de relevância extrema uma vez que competição, influência e status "contaminam" a sociedade dos dias de hoje. Sejam as redes sociais e a política, assim como o local de trabalho e até os relacionamentos em grande parte recompensam de forma maior o controle e a dominância frente a compreensão e a empatia.
O certo é que muitos não conseguem colocar na balança de maneira equilibrada a ambição e a conexão das emoções. Os relacionamentos se tornam sofríveis diante do foco no sucesso, autoridade ou no reconhecimento. E há quem enxerguem o controle como se fosse amor.
A frase de Jung se debruça também na saúde da mente e no desenvolvimento da pessoa. E apoia que se faça um exame das motivações de forma honesta. As ações são impulsionadas cuidadosamente e de forma compreensível ou através do medo e da ânsia de se ter um controlao sobre os resultados?