Frase do dia de Epicteto, filósofo: 'Se falarem mal de você e for verdade, corrija-se; se for mentira, ria disso'
Publicado em 6 de julho de 2026 às 09:34
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
A dicotomia do controle do estoico volta a desempenhar um papel fundamental na maneira como lidamos com uma crítica
Veja + após o anúncio

Ele nasceu escravo em Hierápolis (na atual Turquia), por volta do ano 50 d.C. Após a morte do imperador Nero — aquele que tocava a lira enquanto Roma ardia —, ele conquistou sua liberdade. Hoje, quase dois milênios depois, ele é um dos filósofos mais conhecidos da história e representante do estoicismo romano. Refiro-me a Epicteto, cujos ensinamentos, reunidos por seu discípulo Arriano no “Enquiridion”, são citados hoje mais do que nunca. 

A filosofia de Epicteto parte quase inteiramente de sua premissa mais conhecida, a dicotomia do controle: “há coisas que dependem de nós e outras que não dependem de nós”.

Dependem de nós nossas opiniões, desejos, julgamentos e ações, mas os de outra pessoa não dependem de nós. Por exemplo, se alguém nos critica, a crítica não está sob nosso controle, mas nossa reação a ela, sim. 

Veja + após o anúncio

A reação emocional que temos não dependerá da crítica em si, mas do julgamento que fizermos dela, como em sua paráfrase: “se falarem mal de você e for verdade, corrija-se; se for mentira, ria disso”.

Veja também
Frase do dia de Albert Einstein: 'A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, porque a liberdade implica responsabilidade.'
Epicteto, a crítica e o poder exclusivo de decidir como ela te afeta

Segundo a psicóloga Iria Reguera, aceitar críticas não é algo simples e, no processo de aprender a lidar com elas, é importante sabermos discernir quais críticas devem ser levadas em conta e quais não. Na verdade, ela defende o mesmo que Epicteto há quase dois mil anos, pois “podemos avaliar a crítica da outra pessoa da forma mais objetiva possível e tentar identificar se há alguma verdade nela ou não”. 

Se não houver, é importante esquecê-la o mais rápido possível; e, se houver, ela pode nos ajudar a melhorar, desde que a crítica seja feita de forma construtiva. 

Veja + após o anúncio

O que Epicteto defende é que, diante de uma crítica, há apenas duas possibilidades de agir. Se o que dizem de você for verdade, ficar ofendido é desnecessário, pois o razoável é corrigir o erro. Se a crítica for falsa, não faz sentido sofrer por causa disso, pois essa crítica não diz respeito a você, mas, na verdade, à outra pessoa — algo que mais tarde Carl Jung defenderia com seu arquétipo da sombra. 

“Quando alguém te faz mal ou fala mal de você, lembre-se de que essa pessoa acredita que deve agir assim”, afirmava Epicteto, acrescentando que quem julga mal e se engana já “sofre a punição e suporta todo o dano” de seu próprio erro. A percepção que essa pessoa tem de você, se for falsa, é algo que ela mesma sofrerá, não você.

“Os homens não se perturbam com as coisas, mas com as opiniões que têm sobre elas”, afirmava o filósofo, e, mais uma vez, tudo se resume a concentrar nossa energia naquilo sobre o qual temos controle. 

Veja + após o anúncio
A filosofia de Epicteto inspirou uma das terapias da psicologia moderna

O curioso é que o psicólogo Albert Ellis baseou sua Terapia Racional-Emotiva-Comportamental (TREC) em Epicteto, e dessa máxima surgiu o modelo cognitivo A-B-C de Ellis, no qual nossas interpretações atuam como mediadoras entre o evento e nossa emoção. 

Aplicado às críticas, o mecanismo é exatamente o mesmo: antes de reagir, o racional é nos perguntarmos se o que foi dito é verdade ou não, e agir de acordo com isso.

Se a lógica de Epicteto é tão simples, talvez a pergunta que surja seja por que temos tanta dificuldade em aplicá-la. Quando surge uma crítica, nosso cérebro pode processá-la como uma ameaça social. Precisamos nos sentir aceitos para sobreviver; portanto, qualquer sinal de rejeição, como essa crítica percebida, aciona uma resposta de ameaça quase idêntica à de um perigo físico. Mas essa resposta pode mudar se aplicarmos um pouco de estoicismo.

Veja + após o anúncio

Imagine que um colega de trabalho lhe diga, na frente de outras pessoas, que sua apresentação foi desorganizada e difícil de acompanhar. O primeiro impulso costuma ser se defender ou desanimar. 

Os estoicos, por outro lado, perguntariam primeiro o que há de verdade nessa crítica. Se for verdadeira, e de acordo com a reflexão de Epicteto, na próxima apresentação você pode preparar um roteiro mais claro. Se não for, basta ignorar esse comentário.

“Tudo tem duas alças: uma pela qual se pode segurar, outra pela qual não”, dizia o filósofo. Escolha sempre o lado que for mais suportável, para que nenhuma crítica te afete, seja ela verdadeira ou não.

Últimas Notícias
Últimas Notícias
Tendências
Todos os famosos
Top notícias da semana