Frase do dia de Boris Cyrulnik, o pai da resiliência: 'Precisamos de heróis porque, em suas lutas, reconhecemos as nossas; em suas quedas, nossos tropeços; e em seu renascimento, a esperança de poder mudar'
Publicado em 17 de junho de 2026 às 20:10
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Boris Cyrulnik explica por que os heróis continuam inspirando gerações: em suas quedas e recomeços, reconhecemos nossas próprias histórias
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O que explica o fascínio duradouro por personagens como Batman, Superman, Tarzan ou Oliver Twist? Ou até mesmo por nomes do futebol, amados por uma grande fã base, como Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo...? Para Boris Cyrulnik, neuropsiquiatra francês conhecido mundialmente por seus estudos sobre resiliência, a resposta não está na perfeição desses "heróis", mas justamente em suas cicatrizes!

Em uma reflexão destacada pelo portal espanhol Cuerpo y Mente, o especialista afirma que essas figuras exercem um papel importante na forma como os seres humanos lidam com as próprias dificuldades e imaginam possibilidades de transformação.

"Precisamos de heróis porque, em suas lutas, reconhecemos as nossas; em suas quedas, nossos tropeços; e em seu renascimento, a esperança de poder mudar", escreveu Cyrulnik no livro "(Super)Heróis. Por que precisamos deles?", publicado em 2016.

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Por que admiramos heróis?

Segundo o Cuerpo y Mente, a admiração por heróis não se resume ao entretenimento. A identificação com essas figuras pode funcionar como uma espécie de ensaio para a própria vida.

A publicação cita os estudos do psicólogo canadense Albert Bandura, criador da Teoria da Aprendizagem Social. De acordo com o pesquisador, as pessoas não aprendem apenas por meio das próprias experiências, mas também observando o comportamento de outras pessoas.

Foi Bandura quem defendeu que grande parte da conduta humana é adquirida por observação de modelos. Sob essa perspectiva, personagens admirados podem atuar como referências emocionais, oferecendo exemplos de enfrentamento diante dos desafios da vida.

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Os heróis que interessam a Cyrulnik

Ao abordar o tema, Cyrulnik chama atenção para um detalhe importante: os heróis mais marcantes raramente são figuras perfeitas ou imaculadas. Pelo contrário.

Os personagens citados pelo autor carregam histórias de perdas, abandono ou sofrimento. Superman é um órfão enviado para outro planeta. Batman perdeu os pais ainda na infância. Tarzan também cresce longe da família biológica. Já Marco e Oliver Twist enfrentam separações e situações de vulnerabilidade. Para o neuropsiquiatra, é justamente essa condição de fragilidade que cria identificação com leitores e espectadores.

Em vez de representarem a ausência de dor, esses personagens simbolizam a capacidade de seguir adiante apesar dela!

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A verdadeira épica está no recomeço

Uma das ideias centrais destacadas pelo portal espanhol é que a grandeza dessas narrativas não está na inexistência do sofrimento. Segundo a análise apresentada por Cyrulnik, a dimensão heroica surge quando alguém encontra uma maneira de continuar vivendo depois de uma perda.

A reflexão dialoga diretamente com o conceito de resiliência que tornou o autor conhecido internacionalmente. Para ele, ser resiliente não significa tornar-se invulnerável nem ignorar experiências traumáticas. A resiliência está relacionada à possibilidade de iniciar um novo desenvolvimento após um trauma.

Resiliência não depende apenas da força de vontade

Outro ponto ressaltado pelo Cuerpo y Mente é que Cyrulnik rejeita a ideia de que a superação seja resultado apenas do esforço individual. De acordo com o especialista, a reconstrução emocional também depende de fatores externos importantes, como segurança, vínculos afetivos e apoio social.

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A educação e a qualidade das relações estabelecidas ao longo da vida também desempenham papel fundamental nesse processo. Por isso, a resiliência não deve ser entendida como uma obrigação de enfrentar sozinho situações difíceis, mas como um caminho que frequentemente envolve suporte emocional e redes de apoio.

Heróis como mediadores da dor

Na visão de Cyrulnik, os heróis não devem ser tratados como ídolos inalcançáveis. O autor os define como mediadores. Isso significa que essas figuras ajudam a organizar emoções, dar sentido ao sofrimento e construir narrativas capazes de apontar para um futuro diferente.

Segundo o neuropsiquiatra, eles são importantes tanto durante a infância quanto em momentos de fragilidade emocional na vida adulta.

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O alerta contra a idealização

Apesar de reconhecer o papel positivo dos heróis, Cyrulnik também faz uma ressalva. A necessidade de admirar figuras heroicas é natural durante a infância, período marcado pela dependência e pela busca de referências.

Na vida adulta, porém, existe uma diferença entre encontrar inspiração em alguém - como em ídolos do futebol - e transferir a essa pessoa a responsabilidade pelas próprias decisões. Quando isso acontece, o herói deixa de funcionar como um espelho e passa a ocupar o lugar de salvador. Para o especialista, esse movimento pode indicar uma perda de autonomia individual.

O que a psicologia diz sobre os heróis?

A reportagem do Cuerpo y Mente também menciona estudos da psicóloga Elaine Kinsella sobre as funções sociais e psicológicas dos heróis. Segundo a pesquisadora, essas figuras costumam desempenhar três papéis principais: oferecem proteção simbólica, ajudam a elevar emocionalmente as pessoas e servem como modelos morais.

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Outros trabalhos citados pela publicação, como os do pesquisador Scott Allison, sugerem que histórias heroicas atendem a necessidades emocionais e cognitivas ligadas à esperança, inspiração, crescimento pessoal e busca por sabedoria.

A jornada do herói e a reflexão final de Brecht

A ideia do herói também foi estudada por áreas como sociologia, filosofia e literatura. Em muitas narrativas clássicas, a estrutura se repete: o personagem deixa seu ambiente habitual, enfrenta provas, atravessa momentos de escuridão e retorna transformado.

Mas Cyrulnik não é o único pensador a refletir sobre o tema. Ao final da reportagem, o Cuerpo y Mente recupera uma célebre frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht: "Infeliz o país que precisa de heróis".

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A citação, segundo a publicação, não diminui o valor da coragem. Em vez disso, funciona como um alerta para sociedades que depositam excessiva confiança em figuras carismáticas e transferem a elas responsabilidades que deveriam ser coletivas.

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