A psicologia afirma: pessoas que sempre pagam em dinheiro têm uma habilidade fundamental em relação àquelas que usam aplicativos
Publicado em 2 de agosto de 2026 às 06:07
Você ainda paga em dinheiro? Estudos mostram que esse hábito pode estar ligado a maior controle financeiro e menos compras impulsivas
A psicologia afirma: pessoas que sempre pagam em dinheiro têm uma habilidade fundamental em relação àquelas que usam aplicativos Você ainda prefere pagar em dinheiro? A psicologia e a economia comportamental explicam por que esse hábito pode estar ligado a maior autocontrole financeiro e menos compras por impulso. Entenda o que dizem os estudos Dinheiro, PIX ou cartão? Segundo especialistas citados pelo portal argentino TN, quem paga em dinheiro pode perceber os gastos de forma mais consciente, favorecendo o planejamento financeiro. Saiba mais Pagar em dinheiro pode fazer mais diferença do que você imagina. Entenda como a chamada 'dor de pagar' influencia o cérebro, reduz compras impulsivas e ajuda no controle das finanças pessoais Em tempos de PIX e carteiras digitais, muitas pessoas continuam escolhendo o dinheiro em espécie. Mas o motivo vai além do hábito: a psicologia ajuda a explicar essa preferência. Confira

Em um cenário em que cartões por aproximação, PIX, carteiras digitais e aplicativos bancários se tornaram parte da rotina, pagar em dinheiro parece, para muitos, um hábito cada vez mais raro. No entanto, essa escolha pode estar longe de representar resistência à tecnologia! 

Segundo uma reportagem publicada pelo portal argentino TN (Todo Noticias), especialistas em psicologia e economia comportamental apontam que quem prefere utilizar cédulas e moedas costuma desenvolver uma relação diferente com o próprio dinheiro, marcada por maior percepção dos gastos e autocontrole financeiro.

A explicação está na forma como o cérebro processa as perdas. Ao contrário das transações digitais, em que o valor é debitado quase sem esforço físico, o pagamento em espécie torna o ato de gastar mais concreto, aumentando a consciência sobre o dinheiro que está deixando a carteira.

A chamada 'dor de pagar' torna os gastos mais conscientes

Um dos conceitos mais conhecidos da economia comportamental para explicar esse comportamento é o chamado "efeito da dor de pagar". A expressão foi desenvolvida pelo economista e professor do MIT Drazen Prelec em parceria com o pesquisador George Loewenstein.

Segundo os pesquisadores, desembolsar dinheiro em espécie provoca uma sensação psicológica mais intensa de perda, justamente porque a redução dos recursos é percebida de maneira imediata e tangível. Essa percepção tende a funcionar como uma barreira natural contra compras impulsivas.

Já nos pagamentos feitos por cartão, aplicativos ou carteiras digitais, esse desconforto costuma ser menor. Como a transação acontece de forma rápida e quase automática, o cérebro percebe menos intensamente o impacto financeiro, o que pode favorecer gastos acima do planejado.

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Planejamento financeiro aparece como característica comum

De acordo com a reportagem do TN, especialistas afirmam que pessoas que optam por pagar sempre em dinheiro costumam demonstrar uma preocupação maior com a organização das finanças pessoais.

Ao utilizar notas e moedas, torna-se mais fácil visualizar quanto dinheiro ainda está disponível após cada compra. Essa percepção imediata facilita o acompanhamento do orçamento diário e pode contribuir para evitar o endividamento, já que o consumidor tende a gastar apenas os recursos que possui naquele momento.

Além disso, o dinheiro físico pode transmitir uma sensação de maior controle sobre as finanças, funcionando, para algumas pessoas, como um mecanismo de segurança diante de períodos de incerteza econômica.

O que dizem os estudos sobre comportamento financeiro

As conclusões apresentadas pelo TN dialogam com pesquisas do psicólogo e vencedor do Prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman, referência mundial nos estudos sobre tomada de decisão.

Ao longo de sua carreira, Kahneman demonstrou que as pessoas nem sempre fazem escolhas financeiras de maneira totalmente racional. Emoções, percepção de perdas e diferentes vieses cognitivos influenciam diretamente a forma como consumidores administram o dinheiro.

Nesse contexto, o pagamento em espécie tende a tornar o custo de uma compra mais evidente, favorecendo decisões mais cautelosas e refletidas antes da aquisição de um produto ou serviço.

Preferir dinheiro não significa estar desatualizado

Apesar da rápida expansão dos meios digitais de pagamento, a preferência pelo dinheiro em espécie continua fazendo sentido para parte da população. Segundo a reportagem do TN, essa escolha não deve ser interpretada, necessariamente, como um comportamento ultrapassado, mas como uma estratégia individual de organização financeira.

Isso não significa que pagar em dinheiro seja, por si só, uma prática superior ou mais eficiente para todas as pessoas. O próprio comportamento financeiro varia conforme hábitos, perfil de consumo e objetivos de cada indivíduo.

Ainda assim, especialistas destacam que transformar o ato de gastar em uma experiência mais concreta pode ser um recurso útil para quem busca controlar melhor o orçamento, reduzir compras por impulso e desenvolver uma relação mais consciente com o próprio dinheiro.

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