Com sorte, todos nós envelheceremos. Alguns o farão com uma atitude positiva e agradecendo por estarem vivos mais um dia. Outros se tornarão cada vez mais desagradáveis com o passar do tempo. Na verdade, à medida que envelhecemos, a maioria de nós às vezes se torna um pouco mais difícil de lidar.
O motivo depende de cada um, mas existem certos padrões ou comportamentos que costumam ser comuns entre aqueles que, com a idade, se tornam mais desagradáveis. Se você se reconhece em algum deles, é hora de fazer um trabalho de autoconsciência e pensar em como queremos envelhecer.
Ter uma opinião firme sobre algo, valores e uma forma de pensar não é algo ruim por si só. Desde que respeitemos e ouçamos as opiniões dos outros. Mas, à medida que envelhecemos, ter opiniões excessivamente firmes nos torna pessoas mais rígidas e com menos flexibilidade na hora de pensar e aceitar mudanças. Se já éramos inflexíveis antes, com a idade essa característica piora. E muito.
A resistência à mudança é um comportamento que pode indicar que alguém está se tornando mais desagradável e arrogante com o passar dos anos, pois essa recusa em se adaptar ou em ver as coisas da perspectiva dos outros faz com que as conversas com essa pessoa se tornem cada vez mais desagradáveis. Ser excessivamente veemente não só prejudica os relacionamentos, como também limita o aprendizado e o crescimento de todos os envolvidos. É fundamental lembrar que o diálogo aberto é essencial para manter relações saudáveis à medida que envelhecemos.
À medida que envelhecemos, e conforme descobriu este estudo, experimentamos mais “irritação diária” e a reação ao que nos incomoda é mais negativa quando comparada com pessoas mais jovens. Ou seja, a paciência diminui.
Se já temos pouca paciência e, com o passar dos anos, ela diminui ainda mais, podem surgir atritos nas relações interpessoais que dificultem a convivência com essas pessoas.
O sociólogo e psicólogo Arturo Torres afirmava na revista "Psicología y Mente" que “quem baseia sua vida em criticar os outros tem um sério problema de autoestima”. As pessoas que julgam os outros em qualquer circunstância, à medida que envelhecem, tornam-se cada vez mais críticas.
Não apenas com as outras pessoas, mas consigo mesmas e com a sociedade que as rodeia. Qualquer situação é uma oportunidade para criticar, reclamar ou encontrar defeitos. Esse viés de negatividade pode fazer com que nos concentremos no lado ruim de forma contínua e altere a maneira como vemos o mundo, além de promover interações baseadas apenas na reclamação.
A negatividade extrema pode ser desgastante para quem está ao redor. Como explica a BBC, ficou comprovado que o “lamentar-se crônico” tem um impacto significativo na saúde emocional, mental e até física, tanto de quem reclama quanto de quem recebe os comentários.
A falta de empatia não é algo positivo em nenhuma faixa etária. A empatia nos ajuda a entender e compreender os sentimentos, opiniões e perspectivas dos outros, mesmo que não concordemos com eles ou não os compartilhemos.
Trata-se de algo que vai além de nos colocarmos no lugar do outro, e é essencial para cultivar relacionamentos saudáveis em qualquer aspecto da nossa vida.
Algumas pessoas, à medida que envelhecem, parecem perder essa capacidade e se concentram tanto em suas próprias necessidades e desejos que esquecem e até desprezam os dos outros.
Evidentemente, se essa característica já existia quando eram jovens e não se trabalha para desenvolver essa habilidade dentro da inteligência emocional, com o passar dos anos e o envelhecimento, a visão de mundo dessa pessoa se torna ainda mais egocêntrica e seu jeito de lidar com os outros, mais desagradável.
Continuamos com a inteligência emocional porque, quanto menos desenvolvida ela estiver, mais fácil será, ao envelhecer, nos tornarmos alguém desagradável. Pensemos em uma pessoa que tem dificuldade em respeitar os limites de outra pessoa.
À medida que vai envelhecendo, e à medida que sua paciência diminui e seu mundo se torna mais egoísta, os limites tornam-se difusos para ela. Ainda mais, se possível. Tem dificuldade em respeitar o espaço pessoal, não valoriza o tempo dos outros e, evidentemente, nem suas emoções.
Se pensarmos que geralmente se trata de pessoas com uma flagrante falta de empatia, como mencionamos anteriormente, não é de se admirar que façam comentários cada vez mais infelizes e inadequados, sem pensar no possível impacto que isso pode ter sobre quem os ouve.