Muito antes das redes sociais, das notificações e da sensação de que precisamos estar sempre ocupados, Blaise Pascal já refletia sobre a dificuldade humana de permanecer em silêncio na própria companhia.
Matemático, físico, filósofo e teólogo francês do século XVII, ele escreveu:
“Toda a infelicidade dos homens vem de uma única coisa: não saber permanecer em repouso em um quarto”.
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A frase integra “Pensamentos”, obra formada por anotações que Pascal produziu nos últimos anos de sua vida, antes de morrer, em 1662.
Os fragmentos foram organizados e publicados postumamente, em 1670. Portanto, a afirmação não foi dita em uma ocasião específica, mas registrada pelo filósofo durante suas reflexões sobre a condição humana e a fé cristã.
Na passagem, Pascal desenvolve o conceito de “divertimento”, entendido como o conjunto de distrações às quais recorremos para não pensar profundamente sobre nós mesmos.
Ele cita jogos, conversas, viagens e até guerras como exemplos de ocupações que mantêm a mente em movimento.
Para o pensador, quando o ser humano fica em repouso, passa a encarar a própria fragilidade, a possibilidade da doença e da morte e as inquietações que nenhuma conquista externa consegue eliminar.
A reflexão não significa que devemos abandonar o trabalho, a convivência ou os momentos de lazer. O alerta está no uso constante dessas atividades como uma forma de fuga.
Séculos depois, a observação parece ainda mais atual: ao menor sinal de tédio ou desconforto, procuramos o celular, abrimos um vídeo ou buscamos uma nova tarefa para evitar alguns minutos de silêncio.
Aplicar esse ensinamento à vida pode começar com pequenas pausas sem estímulos. Deixar o telefone longe durante alguns minutos, fazer uma refeição sem a companhia das telas ou simplesmente observar os próprios pensamentos são maneiras de perceber sentimentos que a agitação cotidiana costuma esconder.
Ficar a sós consigo mesmo nem sempre é agradável, mas pode ser necessário para compreender o que realmente nos incomoda, o que desejamos e quais mudanças estamos adiando.
A frase de Pascal nos lembra que preencher todos os espaços vazios não é o mesmo que estar em paz. Às vezes, é justamente quando as distrações cessam que começamos a nos conhecer de verdade.