O dia em que aprendi que, nos cuidados com a pele, “menos é mais”, foi o dia em que minha pele começou a mudar. Por muito tempo, eu não me preocupava com o que passava na pele e seguia todas as tendências possíveis. Se estava na moda a rotina de cuidados coreana, que envolve mais de uma dezena de etapas, eu a seguia.
Mas, na área de cosméticos, mais nem sempre significa melhor, porque, como explicou a farmacêutica Gema Herrerías no podcast de Cristina Mitre, a tendência de acumular etapas infinitas na rotina noturna é um erro. Não é preciso usar tantos produtos. “Muitas vezes aplicamos mais produtos do que nossa pele precisa”, afirma a especialista.
O importante, segundo a especialista, é entender que não é preciso aplicar tudo na mesma rotina e ao mesmo tempo, mas sim criar ciclos e transições e elaborar uma rotina estruturada em ciclos ou transições, alternando os tratamentos intensivos à noite.
“Às vezes, é mais sensato aplicar alguns produtos pela manhã e outros à noite, em vez de tudo junto à noite”, explica Herrerías, “porque não vamos obter melhores resultados usando tantos cosméticos ao mesmo tempo, já que o segundo ou o terceiro que você aplicar não vai surtir efeito algum.”
Simplificando bastante, a pele tem um limite de absorção de produtos, e saturá-la com camadas sobrepostas de ingredientes ativos — que têm não apenas texturas diferentes, mas também requisitos distintos de pH — anula sua eficácia.
A penetração dos ingredientes ativos depende da molécula, do veículo, da concentração, da hidratação, da oclusão, do pH e do estado da barreira cutânea; porém, quanto mais ingredientes ativos incluirmos, maior a chance de que eles não penetrem como deveriam.
Por exemplo, o método “sanduíche” que alguns especialistas recomendam para o retinol — que consiste em uma “sobreposição de camadas” que visa reduzir a irritação causada pelo ingrediente ativo e aplicar um hidratante antes e depois do retinol para que a pele se acostume — “pode diminuir a eficácia do retinol”, como explica Herrerías.
A ordem em uma rotina de cuidados com a pele é realmente importante. A especialista, em seu livro “Código Pele”, divide os produtos da rotina em dois grupos, levando em conta dois aspectos. Por um lado, a viscosidade e o objetivo da rotina; por outro, o pH dos produtos.
“Dependendo da textura de um cosmético, se eu precisar combinar dois, vou aplicar primeiro aquele com menor viscosidade, o mais leve, e depois o de maior consistência ou viscosidade”, explica ela.
Por exemplo, se aplicarmos um tratamento despigmentante, “vou procurar que o produto despigmentante tenha uma textura mais fluida para aplicá-lo em primeiro lugar diretamente sobre a mancha. Assim, evitamos aplicar um produto hidratante maravilhoso, mas que forme uma espécie de película sobre a mancha e que, ao aplicar o produto despigmentante em segundo lugar, ele não seja tão eficaz”, afirma.
Segundo a especialista, “é sempre melhor aplicar o produto despigmentante diretamente sobre a mancha, se o objetivo da minha rotina for melhorar a cor das manchas”.
Quanto ao pH, Herrerías afirma que “em geral, os produtos com pH mais ácido devem ser aplicados primeiro sobre a pele limpa e seca”.
E se houver dois produtos com pH ácido, comece pelo mais ácido deles, mas Herrerías insiste novamente que não é necessário aplicar dois produtos juntos que possam causar irritação: “aplique a vitamina C pela manhã e o retinol à noite, por exemplo”, explica.
Embora um composto possa não ser irritante, pode haver algum cosmético no mercado com uma concentração mais alta que seja, como a vitamina C ou um pH ácido. Por isso, deve-se evitar combinar uma niacinamida muito concentrada com vitamina C, em geral.
“É melhor alternar: um pela manhã e outro à noite”, segundo a especialista. Pense no objetivo da sua pele e escolha uma rotina que se adapte ao que você busca, pois uma rotina simples e bem tolerada costuma ser preferível a acumular muitos ingredientes ativos. É melhor escolhê-los com cuidado do que passar tudo no rosto.