Na juventude, fazer a manutenção de uma rede de amigos parece algo tranquilo. Afinal, são festas, aniversários, colegas de trabalho, paqueras… Um grande leque de possibilidades que dão a certeza de que a vida social pode ser constante e natural.
Mas também é natural que, com a chegada da velhice, essa vida social diminua, à medida que você começa a frequentar lugares diferentes, a cultivar novos hábitos ou até mesmo a não apresentar a mesma disposição física e psicológica para determinadas situações.
É um sentimento que vai além de solidão, porque pode indicar a fragilidade de algumas relações, que se esvaem quando os contextos que as tornavam possíveis deixam de existir.
Segundo um artigo publicado no Global English Editing, a Psicologia descreve esse fenômeno como a descoberta de que muitos dos laços eram sustentados pela proximidade ou pela obrigação, em vez de por uma conexão profunda. Isso não significa que as relações eram falsas, apenas que elas estavam ligadas a circunstâncias específicas que mudaram.
Ambientes que você compartilha diariamente, como o trabalho, ajudam para uma relação ser mantida. Reuniões, responsabilidades em comum, os horários de descanso, tudo isso impulsiona interações. Logo, não é de se estranhar que essas relações esfriem quando se chega á aposentadoria.
Também há de se pontuar a diferença entre relacionamentos superficiais e profundos. A Psicologia distingue entre laços funcionais (colegas, conhecidos) e conexões íntimas. A aposentadoria muitas vezes revela quantas dessas relações eram meramente circunstanciais.
Além disso, a maturidade nos faz naturalmente sermos mais seletivos. Em alguns casos, nos afastamos de certos grupos por termos a sensação de desconexão emocional.
É um esclarecimento necessário que há uma diferença entre companheirismo e conexão. Estar cercado de pessoas com que você se dá bem socialmente não é garantia de sentir-se conectado. Sem estar apoiado na rotina, os relacionamentos que perduram exigem intenção, escolha e construção ativa.
Embora seja triste se afastar de algumas pessoas, essas reflexões também abrem a possibilidade de construir laços mais genuínos, baseados em interesses compartilhados e conexões reais. Não se trata de romantizar uma solidão neste período da vida, mas, sim, de redefinir e aprofundar a forma com que as pessoas permanecem.