Dívida de R$ 7,7 milhões faz Daniel Alves ter fazenda de 64 hectares em Juazeiro (BA) penhorada: advogada tira dúvidas sobre processo de penhora. 'Não significa perda imediata do bem'
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 14:16
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Por Guilherme Guidorizzi | Notícias da TV, novelas e famosos
Escreve sobre novelas e entrevista o elenco para trazer as novidades dos próximos capítulos. Produz conteúdos sobre famosos e TV.
Quando a Justiça determina a penhora de um bem? Isso significa perder no momento uma casa? Casal pode ter bem no nome deles penhorado por dívida de um dos cônjuges? Especialista tira dúvidas
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A Justiça de São Paulo bloqueou a fazenda e um carro de luxo de Daniel Alves, ex-lateral do futebol e com passagens por São Paulo e pela Seleção Brasileira. A decisão foi tomada por conta de dívida de R$ 7,7 milhões ligada à falta de repasse da rescisão de contrato do então atleta com o tricolor paulista em setembro de 2021.

A propriedade rural localizada em Juazeiro (Bahia, cidade-natal de Daniel) tem 64,4 hectares - o equivalente a 644 mil metros quadrados -, enquanto que o Porsche 911 Carrera tem registro do ano de 2021 e já havia sido incluído em outra restrição judicial referente a uma outra ação. Além disso, 50% de um segundo imóvel e que também está naquele município baiano foi acrescentado no processo.

'Penhora não acontece simplesmente porque dívida não foi paga'

A informação é da revista "Veja" e a ação contra o ex-jogador, que permaneceu preso 14 meses na Espanha até ser absolvido em março de 2025, foi aberta por um fundo de investimentos. Diante do cenário que envolve a penhora de bens de uma pessoa, a advogada e Mestre e Doutoranda em Direito Thaluana Alves da Penha lembra que vários passos são cumpridos até se chegar a essa situação.

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"A primeira coisa que precisamos entender é que a penhora não acontece simplesmente porque alguém deixou de pagar uma dívida. Existe um procedimento legal para isso", afirma ao Purepeople. "Em regra, quando uma dívida é cobrada judicialmente, a pessoa tem a oportunidade de pagar ou apresentar sua defesa, conforme o tipo de processo. Se a obrigação não for cumprida, a Justiça pode determinar a penhora de bens para garantir o pagamento", reforça a profissional.

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Salário, em regra, é protegido pela lei em processo de penhora

Como não há uma regra e os casos são analisados de forma individual, a penhora pode ser solicitada a qualquer momento depois de tentativa de acordo. "O importante é entender que a penhora é um instrumento previsto em lei para garantir o cumprimento de uma obrigação, sempre respeitando os direitos de quem deve e de quem tem a receber", frisa Thaluana.

E a própria legislação brasileira garante um limite para que quem deve possa ter "condições mínimas de sobrevivência e dignidade". "Valores recebidos de aluguéis, investimentos e participações societárias podem, dependendo do caso, ser atingidos pela penhora", indica, ressaltando que o salário, em regra, recebe a proteção da lei.

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"Mas existem exceções, especialmente quando estamos falando de dívidas alimentícias. A Justiça também pode admitir a penhora de parte dos rendimentos em outras situações, desde que sejam respeitadas as necessidades básicas da pessoa e de sua família", esclarece a advogada.

'Penhora não significa perda imediata do bem'

Nesse cenário de penhora, a lei brasileira também protege alguns itens ou bem. "Como os móveis essenciais de uma residência, instrumentos necessários ao exercício da profissão e, em regra, o imóvel utilizado como moradia da família. Também existe proteção para valores guardados em caderneta de poupança até o limite legal de 40 salários mínimos, embora essa proteção tenha exceções e dependa das circunstâncias do caso", ressalta.

Só que aí vale um alerta importante: "Não significa que basta colocar o dinheiro em determinada aplicação financeira para impedir uma penhora. A Justiça analisa a origem dos recursos, a natureza da dívida e a proteção prevista em lei". Thaluana lembra também que em muitos casos, a pessoa que tem uma dívida pode continuar morando em um imóvel, uma vez que "penhora não significa perda imediata do bem".

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"É uma medida judicial que vincula aquele patrimônio ao pagamento de uma dívida. Por exemplo, uma pessoa pode continuar morando em um imóvel penhorado enquanto o processo está em andamento, dependendo da decisão judicial. O mesmo pode acontecer com um veículo, que poderá permanecer com o proprietário ou com outra pessoa responsável por sua guarda", relata. 

"Mas existe um risco: se a dívida não for resolvida, o bem poderá ser vendido judicialmente para satisfazer o crédito", explica. "Portanto, a penhora não significa necessariamente que a pessoa precisa sair de casa ou entregar o carro naquele momento", acrescenta a advogada.

Bens em nome de um casal podem ser penhorados?

E no caso de um bem que esteja no nome de um casal e só um dos cônjuges possui a dívida, há risco de penhora? "Pode, mas existem cuidados importantes. O fato de uma pessoa ser casada não significa que o marido ou a esposa tenha que responder automaticamente pelas dívidas do outro", aponta Thaluana.

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"É necessário observar o regime de bens do casamento, a origem da dívida e se aquela obrigação trouxe benefícios para a família. Em determinadas situações, um bem do casal pode ser penhorado, mas a parte pertencente ao cônjuge que não é responsável pela dívida deve ser protegida. Ou seja, a Justiça precisa analisar cada situação para evitar que uma pessoa seja prejudicada por uma dívida que não é sua", explica.

Bens colocado em nome de filhos crianças podem sofrer penhora?

E em regra, patrimônio de filhos não costumam ser penhorados por dívida dos pais. "Mas existe uma questão importante: a Justiça pode investigar situações em que bens são colocados no nome de crianças ou adolescentes apenas para esconder o patrimônio dos pais e evitar o pagamento de dívidas", lembra.

"Se ficar comprovada uma fraude, esses bens ou transferências poderão ser alcançados pelas medidas judiciais cabíveis, respeitando o direito de defesa. O que a lei protege é o patrimônio legítimo dos filhos, e não a utilização do nome deles para esconder bens de terceiros", conclui.

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