Sabe quando alguém ao dormir range ou aperta os dentes? Já diagnosticado em Jennifer Lopez, o bruxismo é muito comum em crianças, contudo é importante frisar que nem todo menor que range os dentes necessita de tratamento especializado.
Isso porque em alguns casos, o bruxismo é somente algo comum visto na infância. Porém, em outras situações, é necessário sim procurar um profissional.
"O ranger dos dentes é apenas uma das manifestações que podem ser observadas. Antes de pensar em tratamento, é fundamental compreender o que está acontecendo com aquela criança, como esse comportamento ocorre e quais outros sinais estão presentes", explica a cirurgiã-dentista Andréa Melo, fundadora da Sociedade Internacional de Bruxismo.
Em 2022, foram reunidos 22 estudos envolvendo 13.076 crianças em diversas regiões do Brasil e se descobriu 25,8% de casos de bruxismo do sono e em vigília. Os pais devem se alertar para o som que os filhos produzem à noite quando dormem, mas terem a consciência que só isso não significa ser quadro de bruxismo.
A ciência investiga fatores como sono agitado e ronco, além de respiração pela boca e alterações respiratórias como causas que levam ao ranger e apertar de dentes ao dormir. "Não podemos olhar somente para os dentes e concluir que encontramos a causa. É preciso considerar o sono, a respiração, a rotina, aspectos comportamentais e outros fatores que podem estar envolvidos naquele caso", reforça a profissional.
Por isso, a ligação entre tais fatores é complexa e a melhor forma de fazer avaliação e tratamento em crianças sobre o bruxismo segue em aberto.
A dentista indicou alguns fatores que devem ser notados no dia a dia e que vão além do apertar e do ranger dos dentes.
- Hábito frequente de ranger ou apertar dentes e quando ocorrer de forma mais comum no sono.
- Dentes desgastados ou com alterações visíveis: observar alterações na superfície dental e enquanto a criança for acompanhada por odontólogo.
- Dor de cabeça assim que acorda e se isso se repetir de forma frequente.
- Mandíbula dolorida e sensação de desconforto/cansaço. assim como queixas ligadas à região da face/músculos da mastigação.
- Sono agitado, ronco, respiração pela boca: não necessariamente é bruxismo, contudo podem levar à informações fundamentais a respeito da qualidade do sono e, dessa forma, favorecer a investigação
A dra. Andréa reforça que não se deve classificar esse comportamento como "hábito isolado". "A minha preocupação sempre foi entender como podemos tornar o diagnóstico mais preciso. Quando identificamos melhor o que está acontecendo, conseguimos tomar decisões clínicas mais conscientes e evitar que o paciente seja tratado apenas pelo sintoma".
Desgaste nos dentes, dor/fadiga nos músculos usados ao mastigar e dor de cabeça podem estar correlacionados ao bruxismo em crianças/adolescentes. Lembrando que devem existir mais evidências científicas para orientação dos pais.
Nesse caso, a recomendação é procurar a ajuda de profissional. "O mais importante é não tentar estabelecer sozinho se aquilo é ou não bruxismo e, principalmente, não iniciar um tratamento sem diagnóstico", aponta, lembrando que o acompanhamento odontológico é também importante.
Aí se nota o desenvolvimento da dentição e alterações que possam necessar de investigação. "Quando falamos de saúde bucal infantil, precisamos olhar para a criança como um todo. Informação de qualidade ajuda os pais a perceber os sinais e procurar ajuda no momento adequado, sem transformar um comportamento em diagnóstico ou, no sentido contrário, deixar uma alteração importante passar despercebida", finaliza.