Nascido em 1900 no interior de Pernambuco, trocado na infância por uma égua e 27 anos ne prisão: quem foi Madame Satã, ícone de resistência e da cultura LGBTQIA+ que dá nome à casa noturna escolhida por Vorcaro para festa com 120 mulheres
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 15:24
Por Guilherme Guidorizzi | Notícias da TV, novelas e famosos
Escreve sobre novelas e entrevista o elenco para trazer as novidades dos próximos capítulos. Produz conteúdos sobre famosos e TV.
O nome Madame Satã ecoa em polêmicas recentes, mas quem foi essa figura icônica, símbolo da cultura LGBTQIA+? Trocado na infância e com passagens pela prisão. Descubra a história do artista
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O escândalo do Banco Master ganha novos contornos e vai envolvendo novos personagens a cada semana. Daniel Vorcaro, então acionista majoritário do banco, fechou contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, cujo filho com a advogada, Alexandre deve se casar em cerimônia de luxo no final do mês.

Sobre o próprio ministro caem acusações graves de possíveis conversas que Vorcaro teria feito com ele, Moraes. Agora, os holofotes também se voltam para o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, marido de Patricia Abravanel e pai dos três filhos da herdeira de Silvio Santos (1930-2024).

Genro de Silvio Santos participou de festa com muitas mulheres?

Uma festa privada organizada pelo banqueiro teria reunido 120 mulheres e apenas 20 homens, entre os quais o próprio Fábio, que teria ainda outra ligação com Vorcaro. Aquela confraternização teria ocorrido às vésperas do Dia das Bruxas, em outubro de 2023, na boate Madame Underground Club, conhecida como Madame Satã, localizada no bairro Bela Vista, na capital de São Paulo. 

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Mas você sabe quem foi Madame Satã, cuja morte completou 50 anos em abril passado e já representado no carnaval por Ailton Graça? Conheça! Ícone do submundo boêmio carioca no começo do século passado, João Francisco dos Santos nasceu em Glória do Goitá, cidade de Pernambuco distante 4h da capital, Recife, e morreu no Rio de Janeiro em 12 de abril de 1976 aos 76 anos vítima de câncer.

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Ícone LGBTQIA+ Madame Satã enfrentou semi-escravidão

Trocado por uma égua na infância, aos 8 anos, pela mãe e após a morte do pai, o artista retratado no cinema em 2002 por Lázaro Ramos e famoso na Lapa foi dono de uma das maiores fichas criminais. Ao todo cumpriu 27 anos de cadeia, porém não de maneira sequencial.

Na época do 50º ano da morte de Madame Satã, o Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional se debruçava em pedido para tombar o túmulo do artista, localizado no cemitério da Vila do Abrão, na Ilha Grande, afim de tornar o primeiro patrimônio cultural LGBTQIA+ - a análise demora um certo tempo.

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Madame Satã e seu primeiro apelido

Nascido em família de 18 irmãos, João Francisco/Madame Satã encarou a semi-escravidão, fugiu para o Rio e na cidade continuou a fazer trabalhos forçados, relatou "O Globo". Analfabeto, o artista que ganhou falsa promessa de ter os estudos bancados por negociante passou a ser visto mais tarde como briguento ao mesmo tempo em que realizava alguns furtos.

Ex-morador de rua, foi ainda vendedor ambulante, garçom e segurança de prostitutas e pela força do seu soco ganhou o apelido de Caranguejo da Praia das Virtudes. No começo dos anos 1920 se descobriu como ator e dançarino em espetáculos. 

Outro momento de consagração veio ao vencer concurso de fantasias em 1938, ano em que ganhou de um delegado o apelido Madame Satã durante prisão: a explicação se baseou por conta daquela veste e pelo filme "Madam Satan", em exibição na época, segundo o agenda "Bafafá".

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Madame Satã foi preso por quê?

Antes disso, em 1928, os problemas policiais se intensificaram ao executar um policial com tiro durante briga que envolveu atitude homofóbica e agressão do militar com cassetete. Recebeu pena de 16 anos de prisão, mas ficou preso pouco mais de dois anos alegando legítima defesa. 

Na sequência se somaram praticamente 30 processos, de agressões a porte de arma, sendo condenado em dez. Cem assassinatos foram atribuídos a ele, fora as mais de 3.000 mil brigas. Em meados dos anos 1950, outra discussão acabou em morte. 

"O Geraldo (Pereira, sambista) cismou que eu tinha que beber cerveja no copo dele. Eu eismei que não tinha. Era, até, meu amigo. Aí, ele me atirou a cerveja dele na cara. Mandei a esquerda, e ele caiu com a cabeça no meio-fio. Foi morrer de manhã, às 9 horas. Isso ocorreu às duas da madrugada. Fui eu?", questionou Satã, que foi ainda cozinheiro.

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