Marco Aurélio, filósofo estoico: ‘A felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos’
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 13:02
Por Clara Espíndola | Colaborador
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
Vamos treinar mentalmente um pouco para que o nosso bem-estar não nos escape entre ruminações mentais e ciclos infinitos. Saiba como a filosofia estoica pode te ajudar!
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É complicado ver as situações que vivemos de uma forma diferente daquela que as emoções nos ditam. E não é que tenhamos que prescindir delas, mas podemos redirecioná-las para conseguirmos ser um pouco mais felizes, já que a felicidade é uma das principais motivações humanas.

A frase de Marco Aurélio, “a felicidade da sua vida depende da qualidade dos seus pensamentos”, afirma que não são os fatos externos que determinam o nosso bem-estar, mas como os interpretamos e avaliamos internamente. Ou seja, o que pensamos e estruturamos dentro da nossa cabecinha molda nossa felicidade sem que percebamos.

O que diz a frase de Marco Aurélio?

A frase funciona como um resumo de toda uma ideia central da filosofia estoica, a dicotomia do controle desenvolvida por Epicteto. Nela, o que se faz é separar a vida em duas áreas: uma que depende de nós — nossos desejos, nossas opiniões, nossos pensamentos, nossas ações — e outra que não depende. 

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Ao concentrarmos nossa energia na primeira e aceitarmos a segunda, reduzimos a ansiedade, que afeta diversas pessoas, como a influenciadora Virginia Fonseca, e, com isso, nossa felicidade aumenta. Todo mundo quer ter uma saúde mental boa e ser feliz, né?

Embora a frase tenha se tornado uma das citações mais compartilhadas atribuídas a Marco Aurélio, na verdade ela não aparece textualmente em seu livro mais famoso, “Meditações”, embora apareça em traduções inglesas posteriores, como a de Jeremy Collier no século XVIII. 

Seja uma paráfrase ou uma citação textual, esta reflexão do imperador romano é a síntese perfeita de algo que não saiu de moda. Tem mais de 2000 anos, mas podemos continuar a aplicá-la sem qualquer problema à vida atual.

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Quando Marco Aurélio se refere à “qualidade” dos seus pensamentos, não o faz a partir de uma formulação otimista. Ele não quer que usemos o filtro do bom humor e da positividade para mascarar a verdade, mas que avaliemos o que acontece de forma racional. 

Dessa forma, conseguiremos desenvolver julgamentos que não nos escravizem emocionalmente a circunstâncias externas. Não se trata simplesmente de pensar positivo, mas de refletir levando em conta o que realmente depende de nós e o que não depende, porque sobre o segundo não existe nenhum tipo de controle. 

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O que você imagina molda você

O estoico dizia que “como são as coisas que você imagina frequentemente, assim será sua inteligência; pois a alma fica tingida pelas representações”. O que pensamos acaba nos transformando no que somos, porque a mente se molda de acordo com os pensamentos que repete. No estoicismo, essas “representações” (phantasiai) são as impressões que temos da realidade. Ou seja, como interpretamos o que acontece. 

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Se tivéssemos que explicar isso com palavras mais atuais, poderíamos dizer que Marco Aurélio defende que “você não apenas reage ao mundo, mas também se constrói internamente a partir do que decide pensar”.

Vou dar um exemplo para que você entenda melhor. Seu chefe diz que seu projeto não está no nível esperado e que partes importantes precisam ser refeitas. O fato objetivo é que existe uma crítica e há trabalho extra. Mas isso não é o importante. Se Marco Aurélio fosse seu Pepito Grillo, ele diria que o que importa é a representação que você faz desse fato. Aí você tem duas opções:

1. Pensar repetidamente em coisas como “sou incompetente”, “nunca faço nada direito” ou “meu chefe está pensando em me demitir” e remoer a mesma coisa várias vezes.  Se você fizer isso repetidamente, começará a trabalhar com medo nas mudanças que seu chefe pediu, evitará assumir novas responsabilidades porque se sente inseguro e até mesmo sua identidade girará em torno de um fato (a crítica). 

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2. Com o estoicismo de Marco Aurélio, o que diríamos a nós mesmos depois de fazer uma análise racional do que aconteceu é que criticaram nosso trabalho, mas não nossa pessoa, que há coisas a melhorar, que podemos aprender algo com isso. O fato (a crítica e o trabalho posterior) é o mesmo. 

A representação que fazemos dele é diferente, e o que ele nos provoca também. Com essa representação, a emoção diminui de intensidade, o ego deixa de ser o centro das atenções, você não se define por um erro e age com mais clareza. 

Se somos o que pensamos, embora nos custe acreditar nisso. E treinar isso é acessível, basta diminuir um pouco a intensidade das emoções para tentar ver com outra perspectiva, algo que podemos fazer com o journaling, por exemplo. Isso pode ajudar a mudar sua maneira de pensar.

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