A investigação sobre uma suposta posse de material de abuso sexual infantil envolvendo Thomas Markle Sr., pai de Meghan Markle, ganhou um novo desdobramento nesta quinta-feira (5). Thomas Markle Jr., meio-irmão da duquesa de Sussex, passou a ser considerado uma pessoa de interesse pelas autoridades das Filipinas. O homem, de 60 anos, não é tratado como suspeito, mas sua possível participação no caso também será apurada.
A informação foi divulgada pelo portal filipino News5, da TV5. Durante um briefing à imprensa, o secretário do Interior das Filipinas, Jonvic Remulla, afirmou que testemunhas relataram que meninas menores de idade teriam sido levadas à residência de Thomas Jr., em Cebu.
"Temos uma testemunha que afirma que meninas menores de idade estavam sendo levadas para a casa dele. Vamos investigar se o filho estava envolvido no crime", declarou Remulla.
Em entrevista ao GMA News, o secretário reforçou que a investigação não está restrita ao pai de Meghan e explicou por que o meio-irmão da duquesa também passou a ser considerado uma pessoa de interesse. "Há sinais que apontam para o envolvimento do filho no crime também, mas, por enquanto, ele é apenas uma pessoa de interesse. Ainda não é tratado como suspeito", afirmou.
Segundo Jonvic Remulla, aproximadamente 7.500 fotografias e um vídeo envolvendo meninos e meninas menores de idade foram recuperados durante a apuração. O News5 informou que os arquivos estavam em um telefone celular, unidades centrais de processamento de computadores desmontadas e outros equipamentos.
O GMA News acrescentou que os registros envolvem menores de diferentes origens, incluindo crianças que aparentam ter entre 10 e 11 anos.
Apesar da quantidade de arquivos recuperados, as autoridades ainda não determinaram a quem pertenciam os dispositivos. O secretário confirmou que o governo filipino solicitou a colaboração do FBI, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos, para ajudar a identificar a propriedade dos aparelhos. Seis telefones teriam origem norte-americana.
A investigação também busca esclarecer quem teve acesso aos arquivos e qual seria a responsabilidade de cada pessoa eventualmente envolvida.
O caso envolvendo o pai de Meghan Markle veio à tona depois que Thomas Markle Jr. afirmou ter encontrado imagens de abuso sexual infantil entre os pertences do pai, em uma antiga residência da família em Cebu, nas Filipinas.
Em 23 de outubro, a Philippine News Agency, agência oficial de notícias do governo filipino, informou que o Departamento de Justiça do país havia iniciado uma investigação sobre as denúncias. Na ocasião, o subsecretário Nicholas Ty confirmou à agência que a força-tarefa responsável pelo combate ao tráfico de pessoas e à exploração sexual infantil estava apurando o caso envolvendo Thomas Markle Sr.
A reportagem também atribuiu ao jornal britânico The Sun a informação de que Thomas Jr. teria encontrado o material em quatro caixas na residência do pai. O meio-irmão de Meghan afirmou ao tabloide que havia centenas, possivelmente milhares, de imagens e vídeos. Segundo o relato divulgado pelo The Sun, ele procurou as autoridades depois da descoberta, incluindo a polícia local e o FBI.
Agora, a própria participação de Thomas Jr. também está sendo examinada. Conforme o GMA News, Jonvic Remulla afirmou que investigadores encontraram equipamentos de iluminação na residência do homem. Ele teria explicado às autoridades que utilizava os acessórios para gravar vídeos para o TikTok. Os investigadores também verificaram seu perfil na plataforma e não encontraram meninas menores de idade nas publicações.
Até o momento, não há confirmação de que Thomas Jr. tenha cometido qualquer crime.
Thomas Markle Sr., de 82 anos, negou as acusações de posse de material de abuso sexual infantil. Em declaração publicada pelo Daily Mail, o pai da duquesa de Sussex classificou as alegações do filho como "mentiras doentias".
"Estou chocado, magoado e muito aborrecido por meu filho estar fazendo essas acusações contra mim. Eu jamais poderia fazer o que estão dizendo que fiz. É a pior coisa de que alguém poderia me acusar", declarou.
O caso também ultrapassou as fronteiras das Filipinas. Em 3 de novembro, o GMA News publicou informações sobre uma investigação conduzida por autoridades do estado mexicano de Baja California em um depósito que teria sido alugado por Thomas Markle Sr., em Rosarito.
Segundo a reportagem, a Procuradoria-Geral do estado recebeu uma denúncia anônima sobre a possível existência de material de abuso sexual infantil no local. Durante a operação, foram encontrados equipamentos de informática e revistas, que passaram a ser examinados pelas autoridades. A existência de material ilegal no depósito, entretanto, não foi confirmada pela investigação.
A repercussão do caso também levou Meghan Markle a falar publicamente sobre o afastamento do pai. Em declaração enviada diretamente à CBS News e publicada em 23 de outubro, a duquesa de Sussex afirmou estar "profundamente abalada" com as acusações.
Meghan revelou que já tinha conhecimento de alegações preocupantes envolvendo Thomas Markle Sr. desde 2018. Segundo a declaração, uma carta foi enviada naquele ano à Polícia Metropolitana de Londres e ao setor responsável pela proteção especializada da família real britânica. Posteriormente, o documento teria sido compartilhado com ela.
A duquesa explicou que o histórico influenciou sua decisão de manter o pai distante da própria família, especialmente dos filhos Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5, frutos do casamento com o príncipe Harry.
"Espero que agora seja possível compreender que, apesar das distorções feitas por algumas publicações ao longo dos anos, qualquer afastamento do meu pai e minha decisão de não permitir que ele tivesse contato com nossos filhos tiveram uma única razão: protegê-los", afirmou. Na mesma manifestação, Meghan declarou esperar que a Justiça seja feita e que a segurança das crianças seja tratada como prioridade.
A investigação nas Filipinas continua em andamento.