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José Ruiz, personal trainer: 'A partir dos 70 anos, não podemos afirmar que as máquinas sejam sempre seguras nem que os halteres sejam eficazes. O músculo não distingue se a resistência vem de um haltere ou de uma máquina'
Publicado em 29 de outubro de 2026 às 20:16
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Envelhecer não significa abrir mão da musculação. Especialista explica quais equipamentos podem ajudar idosos a ganhar força e preservar a autonomia
José Ruiz, personal trainer: 'A partir dos 70 anos, não podemos afirmar que as máquinas sejam sempre seguras nem que os halteres sejam eficazes. O músculo não distingue se a resistência vem de um haltere ou de uma máquina' O treino de força depois dos 70 anos ajuda a preservar a musculatura, o equilíbrio e a autonomia durante o envelhecimento Máquinas de academia, halteres e faixas elásticas podem fazer parte dos exercícios para idosos, desde que respeitem as condições físicas de cada pessoa A musculação depois dos 70 anos pode ajudar a manter a força muscular e facilitar atividades cotidianas, como subir escadas e levantar do sofá Treinar força na terceira idade exige atenção à mobilidade, ao equilíbrio e à capacidade física de cada pessoa

Levantar do sofá sem usar os braços como apoio, subir escadas sem perder o equilíbrio ou carregar as sacolas de compras são atividades que dependem, em boa medida, da nossa força muscular. Com o passar dos anos, preservar essa capacidade se torna especialmente importante, sobretudo quando começamos a perceber que alguns movimentos do dia a dia exigem mais esforço do que antes.

Completar 60 ou 70 anos não significa que seja preciso desistir de ganhar força, muito menos que começar a treinar seja uma tarefa reservada a quem praticou esportes durante toda a vida. A questão está em encontrar uma maneira de trabalhar a musculatura que se adapte às condições físicas de cada pessoa, sem presumir que todo mundo precisa dos mesmos exercícios ou equipamentos.

José Ruiz, personal trainer, nutricionista, especialista em transformações físicas e CEO da Malagaentrena, explicou à revista Semana o que devemos levar em consideração ao começar a treinar força depois dos 70 anos. Sua abordagem vai na contramão da ideia de que existe um único equipamento superior aos demais. Afinal, máquinas de academia, halteres e faixas elásticas podem fazer parte da rotina de exercícios, desde que sejam escolhidos com critério.

Qual é a melhor maneira de treinar depois dos 70 anos?

Nem todas as pessoas que chegam aos 70 anos partem do mesmo ponto. Algumas praticam exercícios há décadas, enquanto outras quase nunca trabalharam a força muscular de maneira específica. Por isso, antes de decidir quais equipamentos utilizar, é importante avaliar aspectos como mobilidade, equilíbrio e capacidade de executar determinados movimentos.

José Ruiz afirma que sua resposta seria: “Depende da pessoa, não da idade”. Para o treinador, em vez de procurar uma máquina supostamente ideal para pessoas mais velhas, o importante é encontrar exercícios que permitam evoluir de acordo com as condições e necessidades de cada um.

As máquinas de academia podem facilitar o aprendizado de determinados movimentos graças aos trajetos guiados e à possibilidade de ajustar a carga. Já as faixas elásticas permitem trabalhar a musculatura em casa, sem ocupar muito espaço nem exigir um grande investimento financeiro.

Os halteres, por sua vez, oferecem outras possibilidades, pois permitem variar os exercícios e trabalhar a coordenação enquanto a pessoa controla o peso levantado.

Durante a entrevista, o treinador não escolheu uma única alternativa como a melhor. “Pessoalmente, não escolheria apenas um equipamento”, afirmou. A combinação de diferentes materiais pode ampliar as possibilidades do treino, desde que os exercícios respeitem as necessidades e capacidades de quem os pratica.

Nesse sentido, Ruiz destaca: “A idade nos obriga a individualizar o treinamento, não a desistir de melhorar nossa força”.

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Máquinas de academia ou halteres: qual é a melhor opção?

O medo de sofrer uma lesão pode levar muitas pessoas de 60 ou 70 anos a descartar determinados exercícios antes mesmo de experimentá-los. As máquinas costumam transmitir uma maior sensação de segurança porque estabilizam parte do movimento, mas isso não significa que sejam sempre a alternativa mais adequada para qualquer pessoa.

“Não podemos afirmar que as máquinas sejam sempre mais seguras ou que os halteres sejam necessariamente mais eficazes”, alerta o especialista. A segurança depende de diversos fatores, entre eles a execução correta dos movimentos, a carga utilizada, as condições físicas de cada pessoa e o planejamento do treinamento.

Os halteres, por exemplo, permitem reproduzir movimentos semelhantes aos realizados no dia a dia, como levantar ou transportar um objeto. Eles também exigem que a pessoa controle o peso durante a execução do exercício, algo que precisa ser ajustado à experiência, à força e à estabilidade de quem está treinando.

Isso não significa, porém, que seja necessário começar levantando pesos livres logo no primeiro dia. Quem nunca treinou pode precisar de exercícios mais simples, cargas leves ou acompanhamento profissional para aprender a executar os movimentos corretamente. À medida que ganha confiança e condicionamento físico, é possível introduzir novas variações.

A escolha dos equipamentos também não precisa ser definitiva. Uma máquina pode ser útil para trabalhar um grupo muscular específico, enquanto faixas elásticas ou halteres podem complementar a sessão com outros movimentos. O mais importante é não permitir que a escolha do material se transforme em um obstáculo para começar a treinar.

O objetivo é preservar a força e a autonomia

O treinamento de força não consiste apenas em levantar mais peso ou desenvolver músculos visíveis. Depois dos 70 anos, ele também pode fazer parte de uma estratégia para preservar capacidades que influenciam diretamente a rotina, como levantar de uma cadeira, subir degraus ou carregar objetos.

Quando combinado com exercícios de equilíbrio e mobilidade, o treinamento adaptado pode contribuir para preservar a autonomia e ajudar as pessoas a continuarem realizando suas atividades habituais.

A conclusão de José Ruiz é clara: envelhecer não significa ter que escolher entre treinar com máquinas ou utilizar pesos livres. A prioridade é trabalhar a força de maneira adequada às necessidades de cada pessoa.

Afinal, quando o assunto é manter a autonomia ao longo dos anos, a maneira como se treina importa muito mais do que o equipamento utilizado.

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Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
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