A morte de Benedito Ruy Barbosa, autor de novelas marcantes da TV Globo como "Pantanal", "Renascer" e "O Rei do Gado", abalou o mundo da dramaturgia nesta terça-feira (07).
O novelista foi casado por 54 anos com Marilene Barbosa, falecida em 2014, aos 75 anos. E o que poucos sabem é que a esposa acompanhava de perto a carreira do marido.
O ator Paulo Gorgulho, por exemplo, só permaneceu na primeira versão de "Pantanal", fenômeno de audiência, após um alerta dado a Benedito Ruy Barbosa pela própria mulher. Na trama, o ator foi José Leôncio quando jovem e, após uma passagem de tempo, retornou à trama agora como José Lucas de Nada, filho do patriarca e irmão de Tadeu (Marcos Palmeira) e Joventino (Marcos Winter).
A manutenção de Gorgulho no elenco da novela fenômeno veio diante da expectativa de que o ator agradaria ao público, em especial o feminino. "Foi a própria mulher de Benedito, Marilena, quem alertou o autor para essa possibilidade. "O personagem é o símbolo do homem puro, bom, macho e terno. É tudo o que uma mulher procura num marido", relatou à "Folha de S.Paulo" em 15 de abril de 1990 o autor de outros clássicos como "Esperança" (2002), que não repetiu o êxito de "Terra Nostra" (1999), por exemplo.
A recepção positiva era tão grande que o autor recebia aproximadamente uma dezena de telefonemas ao final de cada capítulo pedindo que Gorgulho seguisse como José Leôncio após a passagem de tempo.
Na época da exibição da trama, o ator estava com 30 anos e já havia feito participações em outras novelas da Manchete. Entre elas, "Carmem", escrita por Gloria Perez na segunda metade dos anos 1980.
À publicação, Gorgulho negou surpresa com a recepção positiva de seu primeiro grande personagem na TV. "Sempre estudei para ser um boa profissional e consegui isso", resumiu ele, que ao longo dos anos seria visto em "Fera Ferida" - onde foi par de Cassia Kis, atualmente envolvida em nova polêmica - e "Jesus", esta atualmente em nova reprise na Record.
Revelado na minissérie “Anarquistas Graças a Deus”, Gorgulho mostrou-se um pouco incomodado com o rótulo de “sexy-simbol” que ganhou ao viver José Leôncio quando jovem.
"Virar um símbolo sexual pode se transformar em um fardo e me limitar para viver outros personagens", apontou ao "Jornal do Brasil" de 20 de maio de 1990, dias antes de retornar a “Pantanal” agora como o primogênito de José Leôncio, José Lucas.