O lendário fotógrafo Sebastião Salgado morreu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos. O brasileiro faleceu em Paris, onde residia. Ele deixa a esposa, a produtora cinematográfica Lélia Wanick, dois filhos, Juliano e Rodrigo, e dois netos, Flávio e Nara.
Em junho do ano passado, Sebastião deu uma declaração marcante sobre a própria morte em entrevista à revista QG. Meses antes, o fotógrafo declarou que o corpo não era mais o mesmo com a chegada dos 80 anos e refletiu sobre a busca por uma rotina mais tranquila. Apesar disso, afastou a aposentadoria.
“Não falei que pararia de trabalhar, só que, aos 80, você atinge uma liberdade inimaginável. O que vier pela frente é lucro. As pessoas vivem, quando muito, até os 90, e estou mais próximo da morte. Não me engajaria em um projeto que se arrastasse por seis ou sete anos, porque possivelmente não teria como concluí-lo”, pontuou.
Sebastião frisou que não tinha medo da morte e encarava a chegada dos 80 anos como um privilégio. “Trabalhei quatro anos na Gamma [agência fotográfica francesa considerada um dos principais expoentes do fotojornalismo], no fim da década de 1970. Éramos doze fotógrafos e quatro deles foram assassinados; já vi tanta gente morrer”, lembrou.
A morte de Sebastião foi anunciada no começo da tarde desta sexta-feira (23), pelo perfil oficial do Instituto Terra, organização voltada para questões do meio ambiente fundada pela mulher e por ele. A causa do óbito não foi revelada, mas é sabido que, desde os anos 1990, ele lidava com problemas de saúde em decorrência da malária.
“Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora”, enalteceu a nota do Instituto Terra.