Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e irmão do apresentador Tadeu Schmidt, do “BBB 26”, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, deixando o país inteiro de luto. O ex-atleta passou mal e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), quando já estava em parada cardiovasculatória em São Paulo, onde recebeu atendimento médico, mas não resistiu.
Em vida, Oscar e Tadeu sempre mantiveram uma relação próxima - marcada por admiração, orgulho e uma conexão que atravessava não só a família, mas também a trajetória profissional dos dois. O jornalista, inclusive, nunca escondeu o quanto via o irmão como referência, chegando a classificá-lo como um verdadeiro “herói nacional”.
Essa relação ficou eternizada em um momento simbólico da televisão brasileira. Em 2001, ainda no início da carreira, Tadeu teve a missão - e o privilégio - de entrevistar o próprio irmão em uma reportagem especial para o Jornal Nacional. Na época, depois de décadas colecionando recordes, títulos e atuações históricas, Oscar anunciava sua aposentadoria das quadras, em um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória.
Anos depois, ao revisitar esse momento em conversa com Ana Maria Braga no “Mais Você”, Tadeu relembrou a emoção de conduzir a entrevista e assistir novamente ao material. Naquele período, há cerca de 25 anos, o anúncio da despedida ainda soava como novidade para o público - embora Oscar tenha permanecido em atividade por mais dois anos antes da aposentadoria definitiva.
Na reportagem, o próprio Oscar resumiu a obsessão que o transformou em lenda do esporte: “Eu treinei mais que todo mundo. Eu não treinei para ser bom. Eu queria ser o melhor do mundo! Não consegui ser, mas treinei mais do que qualquer um. Eu fiz tudo o que eu podia”.
Já Tadeu, ainda jovem repórter, conduzia a narrativa com um tom que misturava admiração e emoção: “Infelizmente, os maiores também precisam parar um dia”, disse, enquanto o irmão aparecia ao fundo, com a bola de basquete nas mãos, em uma cena que se tornaria histórica.
O apresentador seguiu: “Oscar anunciou que essa vai ser a última temporada, o último ano de uma grande carreira. A despedida de um atleta que sempre viveu para o esporte”.
Mas foi nos bastidores da própria reportagem que surgiu um dos momentos mais marcantes. Em tom íntimo, Oscar fez questão de declarar o carinho pelo irmão mais novo: “Sei que isso não vai para o ar, mas eu gostaria de falar do quanto eu sou feliz e orgulhoso de dar uma entrevista para você, meu irmãozinho”.
A matéria terminou com uma frase que, à época, soava como uma despedida das quadras, mas que, em 2026, ganha um peso ainda maior: “É, Oscar, se vai ser difícil para você viver sem o basquete... imagina como vai ser difícil para nós, viver o basquete sem você”.
A morte de Oscar Schmidt marca o fim de uma era para o esporte brasileiro. Conhecido como “Mão Santa”, o ex-atleta construiu uma das carreiras mais impressionantes da história do basquete, com quase 50 mil pontos e recordes que atravessaram gerações. Maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos, ele participou de cinco edições consecutivas e protagonizou momentos inesquecíveis, como a vitória sobre os Estados Unidos no Pan de 1987.
Nos últimos anos, Oscar enfrentava uma longa batalha contra um câncer no cérebro, diagnosticado ainda em 2011, passando por cirurgias e tratamentos que comoveram fãs em todo o país. Mesmo longe das quadras, seguiu sendo reverenciado como um dos maiores nomes do esporte nacional.