Durante anos, Pamela Quayle fez o que antes era muito comum — e que hoje, aos poucos, podemos dizer que está mudando —: colocar o trabalho, a família e as obrigações em primeiro lugar.
Ela só se exercitava quando podia, nos intervalos e com pouquíssima regularidade; por isso, nunca na vida teria imaginado que, aos 68 anos, estaria levantando pesos e, muito menos, se tornando uma apaixonada por exercícios de força.
A inspiração surgiu em plena pandemia, quando ela tinha 63 anos. Pamela se mudou para ficar mais perto dos filhos e netos, e foi então que a filha propôs que treinassem juntas; ela tinha acabado de começar um programa online com um personal trainer e precisava de uma companheira de treino.
Pamela aceitou, quase mais para fazer um favor a ela do que por motivação própria, mas essa decisão iria transformar completamente seu corpo e sua maneira de entender o envelhecimento.
“Começamos a treinar juntas cinco dias por semana com o programa de corpo inteiro dela, que alternava exercícios com halteres para a parte superior e inferior do corpo. Os treinos eram intensos e meus músculos doíam como nunca antes. Como a treinadora elaborou o programa para minha filha, que tinha menos da metade da minha idade, tive que adaptar alguns movimentos, como os agachamentos búlgaros e as flexões”, conta Pamela neste artigo.
Os primeiros treinos não foram exatamente fáceis e as dores musculares apareceram com muita intensidade. Enquanto a filha fazia agachamentos búlgaros ou flexões completas, Pamela procurava versões mais leves para o seu nível, mas havia algo que a prendia: a sensação de ficar mais forte semana após semana.
“Aos poucos, os halteres de 2 e 4,5 kg se transformaram em halteres de 7 kg, e eu precisava de menos tempo de descanso entre os exercícios. Em apenas algumas semanas, eu tinha oficialmente sido contagiada pela paixão pelo exercício e soube que queria incorporá-lo à minha rotina diária”, explica.
Dois anos depois, ela decidiu dar um passo adiante e treinar com uma treinadora especializada em mulheres de meia-idade, Amanda Lim. Foi então que surgiram exercícios como o levantamento terra, o hip thrust e os agachamentos com barra.
Ela também aprendeu a aumentar a proteína em sua alimentação e a entender melhor o que seu corpo precisava para ganhar músculos e perder gordura. “Ela me ajudou a corrigir minha técnica e se certificou de que eu ativasse os músculos corretos por meio de vídeos que eu enviava. Amanda também me ajudou a otimizar minha dieta, ensinando-me a contar macronutrientes e a aumentar meu consumo de proteínas para ganhar massa muscular”, diz ela.
À medida que avançava, as mudanças iam muito além do seu físico. Pamela começou a se sentir mais ágil, mais capaz e com uma energia que não sentia há anos. Ela ficou tão fascinada com o processo que acabou se formando como personal trainer para continuar aprendendo sobre força e longevidade.
Hoje, aos 68 anos, ela continua treinando quatro dias por semana em sua academia em casa com outra treinadora, Claire Hurwitt, especializada em recomposição corporal e fortalecimento para uma vida longa e saudável.
E divide suas sessões entre a parte superior e inferior do corpo e, às vezes, explica, “a melhora consiste simplesmente em adicionar mais meio quilo à barra em relação à semana anterior (…) Costumo realizar de seis a sete exercícios por sessão, com três séries de oito a doze repetições cada. Para aumentar a resistência e o tempo, também incorporo regularmente ‘superséries’, combinando dois exercícios seguidos com pouco descanso”, explica.
Seu exercício favorito é o levantamento terra; na verdade, um dos objetivos que ele estabeleceu ao começar era conseguir levantar o próprio peso corporal, e ele conseguiu isso há algum tempo. Depois veio um desafio ainda mais ambicioso: chegar a cerca de 82 quilos, o que ele também conseguiu, mas, além de levantar pesos, ele também faz exercícios aeróbicos. “Faço 30 minutos na elíptica ou na esteira uma vez por semana.
Também levo meu cachorro para passear diariamente e caminho pelo menos 10.000 passos por dia. Para ajudar na minha recuperação, faço alongamentos e exercícios de mobilidade antes e depois de cada treino, o que me ajuda a manter a flexibilidade e a amplitude de movimento das minhas articulações”, afirma.
Entre os fatores-chave de seu sucesso está o fato de sempre seguir as orientações de um treinador, mesmo que seja ela mesma, pois isso pode agregar muito mais. Além disso, ela afirma que “alguns dos meus maiores ganhos de força vieram da mudança na minha rotina.
Mesmo pequenas mudanças, como adicionar uma faixa elástica aos meus levantamentos ou reduzir os tempos de descanso entre as séries, me ajudaram a superar estagnações e a manter a motivação para treinar”.
Mas talvez o mais inspirador em sua história não sejam os quilos que ela levanta nem a definição muscular que conquistou, e sim a ideia de que nunca existe uma idade limite para começar.
Pamela passou mais de seis décadas achando que o treinamento de força não era para ela e hoje se tornou uma das maiores defensoras do levantamento de peso para chegar à terceira idade com autonomia, mobilidade e qualidade de vida.
Porque, como mostra o caso dela, às vezes não é preciso encontrar o momento perfeito para começar, basta apenas começar.