Quatro dias após a final da Copa do Mundo 1990, o Brasil se despediu de um icônico jornalista, escritor e treinador de futebol: João Saldanha. Foi o gaúcho de Alegrete nascido em 3 de julho de 1917 e morto em 11 de julho quem dirigiu àquela Seleção durante as Eliminatórias do Mundial de 70. Mas acabou, nas vésperas, dando lugar a Zagallo, cuja herança segue envolvida em disputa de família mais de dois anos após sua morte.
Conhecido pelo apelido de João Sem Medo, levou o Botafogo ao título de campeão estadual em 1957 dirigindo o time da estrela solitária. Na TV, comentou futebol na Globo e pela extinta TV Manchete (1983-1999) durante a Copa da Itália. Autor de falas controversas como "se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano acabaria empatado", foi colunista de jornais e se aventurou no basquete, no tênis e no pólo, sem apresentar talento para nenhum desses esportes.
Saldanha dizia que havia se formado em Economia durante passagem por Praga, que acompanhou Mao Tsetung quando o líder tomou o poder na China, e, enquanto jornalista, cobriu a guerra da Coreia. O jornalista também passou pela política, sendo candidato a vice-prefeito da capital fluminense em meados dos anos 1980 pelo Partido Comunista Brasileiro.
Outro fato real e inusitado foi quando colocou para correr o goleiro Manga (1937-2025), convocado para a Copa do Mundo 1966. A base de tiro durante uma festa de fim de ano em 19 de dezembro de 1967. Quer saber mais? O Purepeople te conta abaixo.
O fato insólito veio no ginásio do Botafogo, no Mourisco, na Zona Sul do Rio. "Visivelmente nervoso, atirou para o chão ao ver que se aproximava o arqueiro Manga", relatou o jornal "O Globo". Mas por que João Saldanha teve esse comportamento agressivo? De acordo com a mesma reportagem, o jornalista fez críticas ao goleiro Manga por conta de comportamento "estranho" do guarda-metas nos jogos contra Vasco e Bangu.
"Em outra televisão, Manga desafiou o comentarista a provar o que considerou como acusação, mandando que comparecesse ontem (19 de dezembro de 1967) ao Botafogo, sede do Morisco, para confirmar ou provar que 'estava conversado para entregar o jogo'", prosseguiu a matéria. Então se deu o encontro: Saldanha conversava com outro radilista e o presidente eleito do alvi-negro quando viu Manga, que colocava o papo em dia com uma atleta.
"O comentarista gritou: 'Venha que eu não sou covarde. Dito isso tirou um revólver da cintura e anunciou: 'Estou armado', para em seguida dar um tiro para o chão, a um metro do local em que Manga parara. O arqueiro tratou de correr". Manga lembrou ter sido trazido de Pernambuco para o Rio pelo próprio Manga, que teria corrido 200 metros nas palavras do jornalista esportivo.
Ao ser questionado sobre os disparos, minimizou: "É o mal da época. Poderiam até dizer que foram dois. Certo é que eu estava armado e prevenido. Apenas precaução. O resto é por conta da imaginação de cada um... O que Manga deve saber é que já o salvei em outras oportunidade, porque sempre me senti responsável pela sua vinda para o Rio. Ele deve recordar bem".