O ano de 2026 ficará marcado como um dos mais simbólicos para a teledramaturgia brasileira. As mortes de Benedito Ruy Barbosa e Manoel Carlos encerram uma era em que dois autores, por caminhos completamente diferentes, retrataram o Brasil como poucos.
Nesta última quarta, 7 de julho, o autor de clássicos como 'Rei do Gado' e 'Pantanal' nos deixou, aos 95 anos, após complicações de insuficiência renal crônica. Sete meses antes, em 10 de janeiro, Maneco, como era carinhosamente chamado no meio artístico, faleceu em decorrência do Mal de Parkinson, aos 92 anos.
Embora nunca tenham formado uma dupla criativa, eles foram os dois lados da mesma moeda: um escreveu o país das fazendas, das raízes e da tradição; o outro transformou o cotidiano do Leblon em um espelho das relações familiares e dos dilemas urbanos.
O único momento em que suas trajetórias se cruzaram aconteceu entre 2002/2003. Na época, Benedito enfrentava problemas de saúde durante a produção de 'Esperança', novela que atravessava dificuldades de audiência e bastidores. Walcyr Carrasco, autor de 'Quem Ama Cuida', assumiu o folhetim até o final.
Para recuperar o horário nobre, a Globo antecipou 'Mulheres Apaixonadas'. Manoel Carlos assumiu a missão e transformou a novela em um fenômeno de audiência e repercussão social. De certa forma, o Leblon salvava o horário que, pouco antes, pertencia à saga dos italianos na década de 1930.
As diferenças entre os dois eram evidentes. Benedito eternizou o homem do campo em clássicos como 'Pantanal', 'Renascer' e 'O Rei do Gado', levando para a TV temas como reforma agrária, conflitos familiares e o misticismo do interior.
Já Manoel Carlos fez do Leblon um personagem de suas novelas. Em obras como 'Laços de Família', 'Mulheres Apaixonadas' e 'Por Amor', transformou dramas em debates nacionais sobre violência, alcoolismo, preconceito e relações familiares.
Mas ao mesmo tempo que Maneco mostrava a força das Helenas, Benedito também deixou na memória mulheres marcantes de suas obras. Juma Marruá, Luana Berdinazi e Giuliana, entre outras, são a prova viva disso.
Apesar dos universos distintos, ambos tinham a mesma vocação: contar histórias profundamente humanas. Suas novelas emocionavam porque falavam de amor, culpa, perdão e família, independentemente do cenário.
Em menos de um ano, dois dos grandes novelistas que marcaram época deixam a teledramaturgia mais vazia, mas não esquecícel. O campo e o Leblon permanecem vivos por toda eternidade!