Apesar de o Natal ser tradicionalmente associado à alegria, confraternizações, presentes e tempo em família, estudos da psicologia indicam que o período também pode despertar sentimentos de tristeza, solidão e até depressão.
Pesquisa da Associação Americana de Psicologia aponta que esse impacto emocional costuma resultar de uma combinação de fatores emocionais, sociais e biológicos, que tendem a se intensificar durante as festas de fim de ano.
Especialistas explicam que a chamada depressão de Natal tem causas multifatoriais. Um dos aspectos mais recorrentes é o contraste entre a expectativa social de felicidade plena e a realidade vivida por cada pessoa.
O fenômeno conhecido como "Holiday Blues" ou "Christmas Depression" está diretamente ligado à pressão cultural reforçada por redes sociais e publicidade, que vendem a ideia de harmonia familiar e celebrações perfeitas. Quando essa imagem idealizada não se concretiza, surgem frustração, sensação de inadequação e isolamento.
A ausência de pessoas queridas também pesa emocionalmente. Para quem vivenciou perdas recentes, o Natal pode reacender sentimentos de luto e saudade. Separações, conflitos familiares não resolvidos ou a distância física entre parentes costumam intensificar a solidão nessa época.
Outro fator relevante é o balanço pessoal típico do fim do ano. A proximidade de um novo ciclo estimula reflexões sobre conquistas, fracassos e metas não alcançadas, o que pode gerar ansiedade, autocrítica e desânimo - especialmente entre pessoas que enfrentam dificuldades financeiras, profissionais ou de saúde.
Mudanças na rotina também interferem no bem-estar. Alterações no sono, na alimentação e na prática de atividades físicas, somadas ao consumo excessivo de álcool e à falta de descanso, podem favorecer sintomas depressivos e ansiosos. Em alguns países, o inverno e a menor exposição à luz solar agravam ainda mais o quadro, afetando a produção de serotonina e melatonina, neurotransmissores ligados ao humor e ao sono.
Para lidar com a chamada “depressão pós-festas”, psicólogos recomendam manter expectativas realistas, fortalecer vínculos sociais, adotar hábitos saudáveis e buscar ajuda profissional quando a tristeza persiste. Instituições de saúde mental reforçam que esses sentimentos são mais comuns do que se imagina e que pedir apoio é um passo fundamental para o bem-estar emocional.