A psicologia afirma: qualquer criança pode desenvolver a curiosidade, a persistência e a dedicação que atribuímos às crianças superdotadas
Publicado em 26 de junho de 2026 às 12:01
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Acreditamos que a inteligência é tudo, mas seu filho não precisa de altas capacidades para que seu talento se desenvolva
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Existe uma ideia simplista de que uma criança com altas capacidades ou com um quociente intelectual (QI) elevado, as chamadas superdotadas, tem sucesso garantido. No entanto, a neurociência e a psicologia não concordam com isso, pois o talento isolado não é tudo.

De acordo com o estudo clássico de Lewis Terman, que acompanhou crianças com QI muito alto ao longo de décadas, nem todas se tornaram “gênios” e muitas alcançaram sucesso, mas nem sempre em proporção ao seu QI inicial.

Não se trata de ter nascido com altas capacidades

O fato de seu filho ler Harry Potter aos cinco anos não significa que ele continuará à frente dos colegas na adolescência, pois qualquer criança pode desenvolver a curiosidade, a persistência e a ética de trabalho que muitas vezes atribuímos às crianças superdotadas.

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O segredo, como explicava a professora Deborah Eyre, é que elas só precisam do apoio adequado em casa e na escola. O psicólogo Benjamin Bloom analisou adultos de alto desempenho em áreas como balé, natação, piano, tênis, matemática, escultura ou neurologia, e o que eles tinham em comum não era um talento intrínseco, mas pais que incentivavam e apoiavam seus filhos nas áreas de que eles gostavam.

Outro exemplo é um estudo da University College London que analisou a diferença que a participação dos pais em casa em atividades simples da pré-escola — como incentivar a leitura — representa no desempenho posterior de seus filhos. Ou seja, o que seu filho precisa não é nascer com um cérebro privilegiado, mas sim uma educação consciente e atenciosa.

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O cérebro pode continuar se desenvolvendo

Sabemos que o quociente intelectual não é fixo e que pode variar com a educação, a prática deliberada e o estímulo adequado, especialmente na infância e na adolescência. Além disso, o cérebro é maleável.

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A neuroplasticidade faz com que nosso cérebro seja capaz de mudar e reorganizar conexões neuronais ao longo de toda a nossa vida, quando aprendemos ou enfrentamos novos desafios. Mas há ainda outro fator a ser considerado: a mentalidade de crescimento.

A mentalidade de crescimento como chave para o sucesso

A Teoria da “Growth Mindset” (mentalidade de crescimento), proposta pela psicóloga Carol Dweck, afirma que nossas habilidades não são fixas, mas podem se desenvolver com esforço, boa estratégia e prática, o que está associado a maior persistência e melhor desempenho acadêmico.

Existem estudos que mostram que ensinar uma mentalidade de crescimento pode melhorar o desempenho, as notas e a motivação, o que leva a crer que muitas crianças podem alcançar um alto desempenho sem a necessidade de ter um QI elevado.

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Albert Einstein, que todos consideram um gênio, já escreveu: “Não é que eu seja muito inteligente, é só que fico pensando nos problemas por mais tempo. A maioria das pessoas diz que é o intelecto que faz um grande cientista. Elas estão enganadas: é o caráter”.

E para que seu filho tenha o caráter de Einstein, com sua perseverança e curiosidade, você precisa estar presente e se preocupar mais em estimular a sua curiosidade e ensinar a cultura do esforço do que com o valor do seu QI.

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