O cenário é clássico e já pode ter sido visto por você: em um shopping, café ou supermercado, o som ambiente é interrompido por uma criança em pleno colapso emocional, recusando-se a sentar. Enquanto os gritos aumentam e os pais se desdobram para conter o caos, surge a dúvida: por que alguns conseguem desarmar essas bombas emocionais com tanta facilidade?
O segredo não é mágica, mas compreensão. Se para adultos a raiva já é um desafio, para crianças ela é uma onda avassaladora. Quando a criança sente que seu incômodo é ignorado, o volume da crise sobe.
No entanto, pais com maior inteligência emocional costumam usar uma frase simples: “Eu vejo que você está bravo”. Com ela, o foco muda da punição para a visibilidade: você está dizendo que o sentimento dela é real.
Psicólogo especialista em parentalidade, Jeffrey Bernstein aponta um erro comum: tentar dominar a situação pelo grito ou pela ordem direta. Segundo ele, “As pessoas resistem ao controle, especialmente quando estão sobrecarregadas”.
Exigir que o choro pare imediatamente apenas alimenta uma disputa de forças, enquanto a validação abre uma porta para o diálogo.É preciso acolher antes de educar. Primeiro, é preciso estabelecer segurança. Bernstein reforça: “O que fazemos é assegurar que você está ali para ela”.
Mudar a abordagem transforma o ambiente doméstico. “Com apenas oferecer sua presença e apoio, você transforma a dinâmica de uma luta de poder em uma oportunidade para conectar”, detalha o especialista. Essa segurança emocional é a base para a saúde mental a longo prazo.
A ciência concorda: crianças educadas sob um regime de severidade sem acolhimento tendem a apresentar maior agressividade e riscos psicológicos no futuro. Por outro lado, “Seu filho aprenderá que você é um lugar seguro, mesmo nos piores momentos e independente da idade”, diz Bernstein.
Para que a técnica funcione, não basta apenas dizer as palavras; a postura do adulto é o que dita o tom.
- Autorregulação primeiro: A psicóloga Aliza Pressman alerta que você não pode oferecer calma se estiver em chamas. Respire antes de agir.
- Presença Física: Aproxime-se. Fique na altura do olhar da criança. Use um tom de voz suave ao dizer: “Eu vejo que você está bravo. Estou aqui para ajudar".
- Paciência Estratégica: Bernstein lembra que o efeito não é instantâneo: “Pode ser que eles não respondam imediatamente, mas suas palavras chegarão até eles”.
Fique por perto, mesmo que em silêncio. Esse processo de "corregulação" é o que ensina a criança a, futuramente, navegar sozinha por suas próprias tempestades. Para mais conteúdos sobre comportamento, bem-estar e o universo dos famosos, acompanhe os artigos do Purepeople!