A psicologia confirma: as pessoas que sorriem quando alguém comete um erro não são más; trata-se de uma reação automática ligada à comparação social e ao alívio do status
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 18:37
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Hábito de rir durante falha de outras pessoas não significa maldade para a psicologia; entenda
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Quem nunca segurou o riso diante de alguém que tropeçou, falou alguma coisa errada ou passou por uma situação inesperada

A reação pode parecer cruel à primeira vista, mas a psicologia mostra que existe uma explicação bem mais complexa por trás daquele sorriso que surge quase sem pedir licença. 

Até a saudosa atriz Nair Bello já contou uma situação curiosa que ajuda a entender esse comportamento. Em uma participação no extinto 'Programa do Jô', a veterana revelou que não conseguiu controlar o riso durante um velório após uma gafe entre as pessoas presentes.

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Segundo ela, a reação simplesmente aconteceu de forma espontânea, sem que tivesse planejado ou desejado rir naquele momento.

A história, que pode causar estranhamento, mostra como determinadas respostas emocionais nem sempre estão completamente sob nosso controle. 

De acordo com a psicóloga Olga Albaladejo, em entrevista ao Cuerpomente, rir ou sentir satisfação diante do erro, do azar ou de uma situação negativa vivida por outra pessoa é mais comum do que imaginamos. 

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Existe, inclusive, uma palavra em alemão para descrever esse sentimento: schadenfreude, que pode ser entendido como o prazer, a satisfação ou até o alívio que uma pessoa sente diante do infortúnio alheio.

A comparação com outras pessoas explica o sentimento

Olga Albaladejo explica que o nosso lugar no mundo também pode ser determinado por avaliações que fazemos em ambientes em que estamos inseridos, como família, amizades, trabalho e outros grupos.

É nesse contexto que aparecem dois tipos de comparação social: a ascendente e a descendente.

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A comparação ascendente acontece quando olhamos para alguém que consideramos estar em uma posição melhor do que a nossa em algum aspecto importante. Essa observação pode ser positiva e servir de inspiração, mas também pode despertar insegurança, sensação de inferioridade ou até uma percepção de ameaça.

Já a comparação descendente acontece quando observamos alguém que consideramos estar em uma situação menos favorável. Nesse caso, a reação pode ajudar a colocar nossas próprias dificuldades em perspectiva e recuperar, ainda que temporariamente, uma sensação de segurança.

É justamente nesse segundo movimento que pode aparecer a satisfação diante do erro de outra pessoa. Se alguém que admiramos passa por um momento de fracasso, aquilo pode produzir uma espécie de alívio interno.

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Sentir uma emoção não significa escolher agir de acordo com ela

Mas então é errado sorrir quando alguém fracassa? Não necessariamente. A psicóloga chama atenção para uma diferença importante entre sentir uma emoção e escolher o que fazer com ela.

“Sentir uma emoção não significa escolhê-la, aprová-la ou agir de acordo com ela”, explica Olga. 

 

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Ou seja, o surgimento espontâneo de um sorriso ou de uma sensação de satisfação não determina automaticamente o caráter de uma pessoa.

Uma pessoa pode perceber que achou engraçada uma situação, identificar o que sentiu e, ainda assim, escolher não humilhar quem errou, não aumentar seu constrangimento e não transformar aquele momento em motivo de crueldade.

Por fim, a comparação pode ser transformada em informação. Em vez de usar o erro alheio apenas para se sentir superior, podemos observar o que aquela reação revela sobre nós mesmos.

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