Enquanto algumas pessoas demonstram carinho com naturalidade, outras preferem manter uma certa distância. Para elas, uma demonstração de afeto que parece natural para muita gente pode causar desconforto, tensão ou até vontade de se afastar. Mas esse afastamento é sinônimo de arrogância?
Para a psicologia, evitar abraços não significa necessariamente falta de afeto, frieza ou desinteresse pelas pessoas. O comportamento pode estar relacionado a diferentes características individuais, experiências de vida e até à forma como cada pessoa percebe estímulos físicos.
Uma das possibilidades apontadas por especialistas é a influência das experiências da primeira infância. A professora Suzanne Degges-White, da Universidade do Norte de Illinois, explica que a relação com o contato físico pode começar a ser construída muito cedo.
Crianças que cresceram em ambientes nos quais abraços e outras manifestações físicas de carinho eram comuns podem desenvolver maior familiaridade com esse tipo de contato.
Quando isso não fazia parte da rotina familiar, receber ou oferecer abraços pode ser menos natural na vida adulta. Isso, entretanto, não significa que uma pessoa tenha necessariamente tido uma infância problemática.
Outro fator que pode entrar nessa equação é o estilo de apego. Pessoas que evitam contato a qualquer custo podem apresentar maior necessidade de autonomia e sentir desconforto diante de situações que envolvam muita proximidade ou vulnerabilidade emocional.
O contato físico intenso pode, em alguns casos, representar uma invasão de um espaço pessoal que a pessoa prefere preservar.
Experiências traumáticas também podem influenciar a relação de alguém com o contato corporal. Em situações mais complexas, determinados toques podem funcionar como gatilhos associados a experiências anteriores de invasão de limites ou de espaço pessoal.
Por isso, não é adequado presumir a história de alguém apenas porque ela não gosta de abraços.
Um exemplo que chamou atenção foi o da ex-participante do 'BBB 26', Tia Milena. Durante o reality, ela demonstrava preferência por cumprimentos mais distantes, como o aperto de mão, em vez de abraçar os demais participantes.
A psicologia, porém, recomenda cautela antes de tentar explicar esse tipo de comportamento. Não gostar de abraços, isoladamente, não permite concluir que alguém tenha trauma, problemas de apego ou qualquer transtorno. É preciso observar o contexto e, principalmente, respeitar a preferência manifestada pela própria pessoa.
Também é importante entender que afeto não se resume ao contato físico. Uma pessoa pode demonstrar carinho por meio de palavras, cuidados, presentes, disponibilidade, ajuda ou simplesmente pela presença.
No fim, a regra é simples: um abraço só é uma demonstração de afeto quando as duas pessoas estão confortáveis com ele. Entender e respeitar esse limite também é uma forma importante de demonstrar consideração.