Janeiro costuma ser associado a novos começos, mas setembro também pode despertar o desejo de rever escolhas e estabelecer metas.
Com a entrada na reta final do ano, este é um bom momento para sair do piloto automático e refletir sobre a maneira como estamos conduzindo nossa vida.
Dos relacionamentos que cultivamos aos sonhos que insistimos em adiar, algumas decisões podem ter um impacto profundo em nosso bem-estar.
A seguir, reunimos nove reflexões importantes para quem deseja viver de maneira mais consciente e feliz.
Segundo o Estudo sobre o Desenvolvimento Adulto de Harvard, um dos mais longos da história, o que realmente nos faz felizes são as relações interpessoais. No entanto, quanto tempo dedicamos àquilo que nos traz felicidade?
Quando estivermos em nosso leito de morte — desculpe ser tão trágica, mas um choque de realidade é a melhor maneira de despertar da letargia —, pensaremos no passado e talvez um sorriso apareça em nosso rosto se tivermos tomado as decisões certas ao longo da vida.
Enrique Rojas, professor de Psiquiatria e Psicologia Médica, afirma que não dedicar tempo à família e aos amigos é uma das coisas das quais as pessoas mais se arrependem antes de morrer. Pense se você quer ser uma delas e, se a resposta for não, faça algo para evitar que isso aconteça.
Muitas vezes, associamos a felicidade a um relacionamento, uma casa grande, filhos, um emprego bem remunerado ou até mesmo um armário cheio de sapatos como o de Carrie Bradshaw.
No entanto, uma vida satisfatória não depende necessariamente de grandes conquistas materiais nem de seguir um roteiro preestabelecido. Para a maioria de nós, ser feliz não exige comprar ou acumular mais coisas.
Vivemos em uma sociedade consumista que nos estimula de todas as formas possíveis para que nunca saiamos da chamada esteira hedônica.
Arthur C. Brooks, especialista em felicidade, explica que a única maneira de encontrar o verdadeiro bem-estar é nos afastarmos dessa máquina consumista.
O escritor francês André Gide dizia:
“Muitas vezes, as palavras que deveríamos ter dito só aparecem em nossa mente quando já é tarde demais.”
Isso talvez seja um clássico, mas nunca sabemos quando veremos alguém pela última vez. Seja quem for: sua mãe, sua melhor amiga ou um colega de trabalho.
Amanhã pode ser tarde demais para um abraço. Tarde demais para um “eu te amo”, um “gosto de você” ou um “tenho orgulho de você”. Tarde demais para um “sinto sua falta” ou “quero ver você”.
As pessoas ao nosso redor merecem saber que nós as admiramos e amamos. Que elas são importantes para nós. Talvez você não tenha um amanhã para dizer “eu te amo”. Portanto, é melhor não esperar e expressar o que sente.
Lucy Maud Montgomery dizia:
“Devemos nos arrepender de nossos erros e aprender com eles, mas nunca levá-los conosco para o futuro.”
Afinal, ninguém é perfeito. Todos fracassamos, cometemos erros e nos enganamos e, com sorte e esforço, aprendemos.
Mesmo que esteja vivendo um momento complicado, você pode extrair algo positivo dele e usá-lo a seu favor.
O fim de um relacionamento pode nos ajudar a ser mais exigentes no futuro ou a entender o que não estamos dispostos a tolerar. Perder o emprego pode abrir as portas para outras oportunidades que você nunca havia cogitado.
O fracasso não é ruim, e os erros também não.
Em “O Poder do Hábito”, Charles Duhigg mostra a importância que os hábitos exercem em nossa vida. E isso vai além de praticar exercícios físicos, não fumar ou manter uma alimentação equilibrada para cuidar da saúde e viver melhor.
Nossos hábitos também podem nos aproximar da felicidade, ajudar em nosso desenvolvimento intelectual e pessoal e nos tornar pessoas melhores.
Por isso, vale a pena analisar quais comportamentos fazem parte de sua rotina e como eles influenciam sua vida. Se já não proporcionam os benefícios esperados, talvez seja um bom momento para mudá-los.
Entendo que nem todos os projetos, objetivos ou metas que você tem em mente são viáveis em qualquer momento da vida. Mas quantas desculpas você já deu para não realizá-los?
O romancista Steven Pressfield afirma:
“A característica inequívoca de um simples amador é ter um milhão de planos, todos começando amanhã.”
O problema é que esse amanhã nunca chega, até que seja tarde demais para fazer qualquer coisa e tudo o que reste seja o arrependimento. Sinto dizer isso, mas as oportunidades que você deixa passar sem sequer tentar são aquelas que mais vão doer no futuro.
Embora esse tipo de discurso possa soar como uma daquelas frases motivacionais estampadas em canecas ou compartilhadas nas redes sociais, há alguma verdade nele: o melhor momento para começar é agora.
Você sempre quis viajar sozinha? Faça isso. Sonha em aprender a cantar ou tocar um instrumento? Matricule-se em um curso. Tem vontade de conhecer um lugar especial? Comece a planejar a viagem. Nem sempre será possível realizar tudo imediatamente, mas dar o primeiro passo já faz diferença.
Embora a paciência seja uma virtude na vida, tê-la não significa esperar sem fazer nada, mas agir da melhor maneira possível com os recursos que você tem à disposição.
Comece sabendo que os resultados que procura valem o tempo e o esforço necessários e que não estão disponíveis em nenhum outro lugar por menos tempo e esforço.
“Nobody is perfect. My name is Nobody” (“Ninguém é perfeito. Meu nome é Ninguém”) é uma frase bem-humorada, mas que também nos lembra de algo frequentemente esquecido: a perfeição é inalcançável.
Ainda assim, muitas pessoas condicionam o próprio valor à capacidade de fazer tudo perfeitamente e de se manter produtivas o tempo inteiro.
Essa cobrança excessiva pode distorcer a percepção sobre o próprio desempenho, provocar frustração e criar a sensação de que nada do que fazemos é suficiente.
Todos os seres humanos são imperfeitos e repletos de contradições. Pessoas generosas podem ser egoístas em alguns momentos, as pacientes podem perder a calma, pessoas boas podem praticar más ações e todos, absolutamente todos, cometemos erros.
É hora de começarmos a ser mais compassivos com os outros e com nós mesmos, aceitando que também existe beleza na imperfeição, como defende a filosofia japonesa wabi-sabi. Você será muito mais feliz quando deixar de se obcecar pela perfeição.
Bronnie Ware, enfermeira que cuidava de pacientes terminais, afirma em seu livro “Os Cinco Principais Arrependimentos Antes de Morrer”:
“Até o fim, eles não percebem que a felicidade é uma escolha.”
Os momentos mais simples da vida podem se transformar em pequenas fontes de felicidade, embora muitas vezes passem despercebidos em meio à correria cotidiana.
Por isso, vale a pena prestar mais atenção ao que nos faz bem, seja saborear uma comida de que gostamos, conversar com alguém querido ou realizar uma viagem muito desejada.
Afinal, a felicidade nem sempre está nos grandes acontecimentos, mas também na capacidade de reconhecer e aproveitar as alegrias do dia a dia.