A frase do escritor alemão Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, nunca pareceu tão atual: "Ser inteligente é bom, ser paciente é melhor".
Em tempos de reações instantâneas, discussões nas redes sociais e respostas impulsivas, o pensamento do autor de Siddhartha ganha força ao mostrar que inteligência e talento pouco significam quando não são acompanhados da capacidade de esperar e controlar as próprias emoções.
O contraste ficou evidente na noite desta terça-feira (5), quando Neymar protagonizou um momento de tensão após a classificação do Santos para as quartas de final da Copa do Brasil.
Na saída do gramado do Mangueirão, o camisa 10 respondeu às provocações da torcida do Remo e chegou a mandar um beijo para o que seria a esposa de um torcedor azulino.
A situação não terminou ali. A discussão continuou no túnel de acesso aos vestiários, envolvendo jogadores, funcionários e dirigentes do clube paraense. Somente quando Neymar entrou no vestiário o clima esfriou.
Um episódio que, para muitos, evidenciou justamente aquilo que Hesse enxergava como uma das maiores virtudes humanas: a paciência.
Para o autor alemão, a inteligência abre caminhos, mas é a paciência que permite percorrê-los. De nada adianta possuir talento, força ou determinação se falta equilíbrio para lidar com as adversidades do percurso. Em outras palavras, saber esperar é tão importante quanto saber agir.
Essa filosofia aparece de forma marcante em Siddhartha, um dos romances mais conhecidos de Hesse. Em determinado momento, o protagonista resume sua maior habilidade em apenas três frases: "Eu sei pensar. Eu sei esperar. Eu sei jejuar." Para ele, essas eram as qualidades essenciais de uma pessoa verdadeiramente iluminada.
Pensar representa a capacidade de refletir antes de agir. Esperar significa compreender que nem tudo acontece no tempo desejado. Já o jejum simboliza o domínio sobre os próprios impulsos e a habilidade de adiar recompensas em busca de algo maior.
Essa visão dialoga diretamente com ensinamentos do taoísmo, filosofia que defende que nada na natureza pode ser acelerado à força. Como exemplo, uma fruta amadurece apenas quando chega sua hora e a chuva termina no momento certo.
A vida funciona da mesma maneira. Em vez de lutar desesperadamente contra a corrente, talvez seja mais sábio observar seu movimento, compreender o momento certo e agir quando as circunstâncias permitirem.