Gabriel Rolón, o psicólogo argentino que enche estádios: 'Somente alguém que nunca fez psicanálise se identifica com suas conquistas'
Publicado em 6 de julho de 2026 às 19:51
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Famoso psicólogo faz uma dura análise sobre a vida com e sem psicanálise; reflita!
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“Só quem nunca passou por psicanálise se identifica com suas conquistas.” A frase do psicólogo e escritor argentino Gabriel Rolón provoca justamente porque desmonta a ideia de que sucesso, conquistas e reconhecimento são suficientes para definir quem somos.

Para Rolón, existe algo muito mais profundo por trás da aparência de felicidade e realização. E talvez seja justamente isso que a psicanálise tente revelar.

Autor de livros baseados em conversas reais, muitos deles adaptados para cinema e televisão, como 'Felicidade', 'Luto' e 'Solidão', o psicólogo defende uma visão bastante intensa sobre a dor humana. 

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Segundo ele, o trabalho do analista não é oferecer respostas prontas ou simplesmente aliviar o sofrimento. “O analista não compreende o paciente, ele o acompanha até a beira do abismo”, afirma.

A reflexão se aprofunda quando Rolón compara diferentes linhas da psicologia.

“A escola americana de psicologia desenvolveu uma psicoterapia que busca o bem-estar. Nós, analistas freudianos, renunciamos a isso para buscar a verdade que o paciente desconhece.”

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Em outras palavras, a psicanálise não tenta apenas fazer alguém 'se sentir melhor'. Ela busca compreender o que existe de mais escondido dentro do indivíduo — inclusive dores, medos e traumas que muitas vezes a própria pessoa evita enxergar.

E, para Gabriel Rolón, o sofrimento faz parte da própria experiência de existir.

“O ser humano já é traumático por si só, mesmo se não tiver tido problemas na infância. Tornar-se humano gera dores que formam uma matriz sobre a qual se construirão todas as dores subsequentes.”

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A frase ajuda a explicar por que tantas pessoas aparentemente bem-sucedidas continuam enfrentando crises emocionais profundas. Porque o sofrimento não desaparece apenas com dinheiro, fama ou reconhecimento.

Nesse sentido, Rolón define claramente para quem serve a psicanálise. “A psicanálise é para aqueles que percebem que não conseguem lidar sozinhos com a dor que sentem. E para aqueles que não entendem.”

Segundo ele, os seres humanos liberam a dor através das palavras. “Nós, humanos, liberamos nossa dor com palavras. Às vezes, temos tanto medo disso que aqueles que nos amam nos impedem de falar: acabou, você vai se apaixonar de novo…”

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A reflexão ganha ainda mais força quando observamos figuras públicas que passaram a falar abertamente sobre saúde mental. É o caso de Neymar, que enfrentou a recente derrota na Copa do Mundo contra a Noruega, neste domingo, 5 de julho, 

Em 2025, após sofrer momentos difíceis ligados à pressão profissional e emocional, o atacante revelou que buscou ajuda psicológica.

“Ajuda psicológica mesmo, já tinha feito terapia um tempo atrás, mas não foi nada porque eu estava mal, era porque eu queria uma autoajuda mesmo, para me ajudar mais, mas dessa vez foi a primeira vez que meu emocional foi para o zero”, confessou ao GE, na época. 

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A fala do jogador acaba dialogando diretamente com as ideias de Gabriel Rolón. Isso porque reconhecer a própria dor talvez seja uma das experiências mais difíceis para qualquer pessoa.

E Rolón faz ainda outro alerta importante. “Devemos ter cuidado para não desrespeitar a dor de alguém simplesmente porque ela não é extrema. Quando alguém não consegue suportá-la, essa dor é extremamente séria. Só devemos parar de ouvi-la se essa pessoa estiver se divertindo ao se fazer de vítima.”

O psicólogo também traz reflexões profundas sobre amadurecimento e perdas. “Michel Tournier considera que alguém que perdeu um ente querido é um adulto. Independentemente da idade. Essa afirmação é impressionante. Eu trabalhava em um lar para crianças abandonadas.”

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A frase mostra como certas experiências emocionais acabam acelerando brutalmente o processo de crescimento humano. E talvez seja justamente por isso que Gabriel Rolón se tornou uma voz tão relevante para discutir saúde mental.

Suas reflexões mostram que viver implica enfrentar dores, limites, desejos e contradições constantemente. “A diferença entre uma atitude saudável e uma patológica nada mais é do que uma questão de mensuração”, conclui.

Talvez seja exatamente isso que torne suas palavras tão impactantes: elas lembram que ninguém está completamente livre das dores emocionais — nem mesmo quem aparenta ter conquistado tudo.

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