O psicólogo e psicanalista Gabriel Rolón concedeu uma entrevista intensa sobre seu livro "Solidão. Uma Visita Inevitável" ao periódico "La Voz da Galícia". Conhecido por lotar teatros e estádios na Argentina, o especialista falou sobre perdas, relações afetivas e o medo de ficar sozinho — um sentimento que, segundo ele, pode levar pessoas a permanecerem em relações destrutivas.
Ao longo da conversa, Rolón relembrou o impacto da morte do pai, em 1998, episódio que serviu como ponto de partida para escrever a obra. O autor explicou que decidiu transformar a própria experiência em relato justamente para aproximar o leitor de dores que considera universais.
Segundo o psicanalista, a solidão acompanha o ser humano desde o nascimento e pode se manifestar de formas diferentes ao longo da vida. Para ele, existe uma diferença importante entre a solidão imposta e aquela que é escolhida de maneira consciente.
Durante a entrevista, Gabriel Rolón chamou atenção ao afirmar que muitos relacionamentos são sustentados pelo medo da solidão, e não pelo amor em si.
“Acredito que o único casal verdadeiramente valioso é aquele formado por duas pessoas que conseguem ser perfeitamente felizes sozinhas”, declarou o autor.
Na visão do psicólogo, quando a relação nasce da necessidade extrema do outro, o sofrimento acaba se tornando inevitável. Ele ainda afirmou que frases como “eu preciso de você” podem esconder um tipo perigoso de dependência emocional.
Rolón também explicou que pessoas que têm pavor da solidão frequentemente carregam dificuldades internas mal resolvidas. Para ele, aprender a lidar consigo mesmo é essencial antes de construir uma relação saudável.
Ao comentar o livro, o escritor argentino explicou que escolheu abordar o tema de forma íntima justamente para incentivar o leitor a olhar para dentro de si.
O autor relembrou que sentiu uma “solidão imensa” após perder o pai e afirmou que a morte de alguém próximo muda completamente a forma como uma pessoa enxerga a vida.
Outro ponto levantado por Gabriel Rolón envolve os padrões familiares e culturais que moldam comportamentos afetivos. Segundo ele, muitas pessoas vivem tentando fugir de modelos herdados dos pais sem perceber que continuam presas a eles.
O psicanalista ainda refletiu sobre culpa, desejo e limites emocionais. Para ele, a culpa nem sempre é negativa e pode funcionar como uma barreira importante para impedir atitudes destrutivas nas relações humanas.