Mesmo que você faça parte daqueles casais que quase sempre concordam em tudo e raramente entram em conflito, é bem provável que, em algum momento da vida, uma discussão tenha saído do controle e sentimentos como raiva, irritação ou tristeza tenham tomado conta da situação, fazendo com que tudo fugisse do rumo.
Pois bem, chegou a hora de conhecer a arma secreta para controlar as discussões e impedir que elas saiam do controle. É hora de aprender a discutir, porque o objetivo não é evitar os conflitos nos relacionamentos, mas aprender a administrá-los.
Essa técnica também pode ser útil em conflitos com um colega de trabalho, com a mãe, com um irmão mais novo ou com qualquer outra pessoa.
Trata-se de uma estratégia de comunicação criada por Manuel J. Smith, psicólogo da Universidade de Brooklyn e especialista em assertividade e habilidades sociais. Ela é apresentada no livro “When I Say No, I Feel Guilty” e é uma ferramenta eficaz para administrar conflitos e reduzir a intensidade de uma discussão.
Para entender como funciona a técnica de comunicação conhecida como "técnica do nevoeiro", basta imaginar a seguinte situação: você está dirigindo e, de repente, entra em uma área tomada por uma densa neblina.
O mais natural é reduzir a velocidade para conseguir enxergar melhor a estrada. É exatamente isso que devemos fazer diante de um conflito.
A "técnica do nevoeiro" consiste em desacelerar as emoções durante uma discussão, já que são elas que nos levam a reagir de forma impulsiva. Permitir que as emoções assumam o controle completo das nossas atitudes nunca é uma boa ideia.
Dessa forma, o objetivo é justamente recuperar o controle da situação durante um conflito.
Quem explica como colocar essa estratégia em prática é María Esclapez, psicóloga, sexóloga, terapeuta de casais e autora de livros como “Me amo, te amo: Como colocar o amor-próprio em primeiro lugar e criar relações mais saudáveis”.
Segundo ela, a "técnica do nevoeiro" pode melhorar não apenas os relacionamentos amorosos, mas qualquer tipo de relação.
A técnica pode ser usada quando recebemos uma crítica ou simplesmente quando há opiniões divergentes e fica claro que não será possível chegar a um consenso.
Nesses momentos, quando a outra pessoa explicar como se sente, como interpreta a situação ou o que acredita que aconteceu, devemos procurar algum ponto do discurso com o qual possamos demonstrar empatia.
Independentemente do nosso próprio ponto de vista, é importante validar e reforçar esse aspecto com o qual conseguimos empatizar.
A empatia demonstrada reduz a intensidade da dor, do desconforto ou da irritação que a outra pessoa está sentindo, diminuindo a tensão do ambiente e favorecendo a continuidade da conversa de forma mais tranquila.
Como explica Esclapez, essa técnica de comunicação nos ajuda a compreender melhor a perspectiva do outro, porque exige um esforço consciente para demonstrar empatia pelo parceiro, mesmo durante um conflito. É justamente o oposto daquele hábito que costuma destruir tantos relacionamentos.
Ao agir com empatia, mostramos que entendemos o outro lado, sem abrir mão da nossa própria visão, que também será apresentada de forma calma para que a outra pessoa consiga compreendê-la.
Em vez de tentar convencer o outro de que estamos certos a qualquer custo, passamos a adotar uma comunicação assertiva, na qual reconhecemos que entendemos o ponto de vista da outra pessoa, mesmo sem concordar com tudo.
Com isso, a intensidade da discussão diminui, porque quem recebe essa mensagem se sente ouvido e compreendido.
Depois de validar os sentimentos do parceiro e com o clima mais tranquilo, chega o momento de explicar como você se sente, agora em um ambiente mais respeitoso e sereno.
Deixei uma xícara na pia em vez de colocá-la na lava-louças. Meu parceiro chega à cozinha, vê a xícara e começamos a discutir porque a máquina está cheia de louça limpa e eu não a esvaziei para guardar a xícara.
"Você sempre foge da tarefa de esvaziar a lava-louças e acaba sobrando para mim. Já estou de saco cheio disso, poxa", ele diz.
A partir daí, entramos naquele ciclo interminável de acusações, em que um culpa o outro sem que ninguém chegue a um entendimento. Eu respondo que não tenho tempo para esvaziar a lava-louças naquele momento porque estou trabalhando e que não há problema em fazer isso mais tarde.
Meu parceiro, por outro lado, argumenta que eu nunca faço isso, nem de manhã nem à tarde.
Se eu usar a "técnica do nevoeiro" nesse momento, posso responder algo como: "Entendo o que você está dizendo e é verdade que eu procrastino muito quando se trata da lava-louças, porque é a tarefa da casa que tenho mais preguiça de fazer."
Meu parceiro olha para mim, concorda com a cabeça e, de uma conversa em que estávamos elevando o tom de voz, passamos para um diálogo normal, focado em resolver o problema sem brigar, apenas discutindo a situação de forma saudável.
E, a partir dessa calma, depois de ouvir o ponto de vista dele, apresento a minha perspectiva: "Amor, eu não consigo esvaziar a lava-louças de manhã porque tenho reuniões de trabalho. Foi por isso que deixei a xícara na pia."
A discussão continua, mas sem drama.