Frase do dia de Zygmunt Bauman, filósofo: ‘Uma vida com significado não garante a felicidade, mas torna a infelicidade suportável’
Publicado em 30 de julho de 2026 às 13:40
Pensávamos que o bem-estar dependia do que nos cerca, mas estoicos, psicólogos e filósofos defendem justamente o contrário
Frase do dia de Zygmunt Bauman, filósofo: ‘Uma vida com significado não garante a felicidade, mas torna a infelicidade suportável’ Pensávamos que o bem-estar dependia do que nos cerca, mas estoicos, psicólogos e filósofos defendem justamente o contrário No livro 'A Arte da Vida', Bauman atualiza as reflexões do pensamento clássico para a nossa época contemporânea Hoje, as condições sociais e econômicas são fluidas e incertas — aquilo que Bauman chamava de modernidade líquida —, mas a felicidade continua escondida no mesmo lugar de mais de 2 mil anos atrás Os estoicos, como Marco Aurélio, afirmavam que a verdadeira felicidade dependia da virtude e do uso da razão, e não de fatores externos

Durante toda a sua vida, o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman dedicou-se a fazer algo que, para muita gente, é difícil: pensar.

De suas reflexões nasceram grandes obras que mudaram a nossa forma de enxergar o amor (como “Amor Líquido”), a maneira como vemos a vida (com “Vida Líquida”) e até a forma como interpretamos alguns clássicos, como o filósofo estoico Marco Aurélio.

Em “A Arte da Vida”, Bauman atualiza as reflexões do pensamento clássico para a nossa época contemporânea.

No livro, o filósofo afirma que "Marco Aurélio considera o caráter pessoal e a consciência como o último refúgio daqueles que buscam a felicidade: o único lugar onde os sonhos de felicidade, condenados a morrer sem herdeiros e sem testamento em qualquer outro lugar, não estão destinados à frustração". Mas o que isso significa?

O que Bauman quis dizer com essa reflexão?

A citação completa nos permite perceber como o pensamento clássico pode nos ajudar a refletir sobre a felicidade nos dias de hoje, mesmo vivendo em um contexto completamente diferente daquele experimentado pelos estoicos.

Hoje, as condições sociais e econômicas são fluidas e incertas — aquilo que Bauman chamava de modernidade líquida —, mas a felicidade continua escondida no mesmo lugar de mais de 2 mil anos atrás, quando Marco Aurélio falava sobre ela.

Independentemente do mundo em que vivamos, Bauman e Marco Aurélio defendiam que a fonte mais estável da felicidade é a nossa própria integridade interior, e não as condições externas, por mais que, atualmente, pareça que todo prazer possa ser comprado em uma loja.

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Os estoicos, como Marco Aurélio, afirmavam que a verdadeira felicidade dependia da virtude e do uso da razão, e não de fatores externos.

Era isso o que chamavam de autarquia interior: uma autossuficiência emocional somada à capacidade de governar a si mesmo, que lhes permitia, ao menos em teoria, manter a paz interior e a felicidade sem depender de nada externo. Nem de bens materiais, nem de riquezas e, quase, nem mesmo de relacionamentos.

Esse conceito está centrado na chamada dicotomia do controle, segundo a qual nossa energia vital deve se concentrar apenas naquilo que realmente podemos controlar: nossos pensamentos, nossas ações e nossos julgamentos.

Em outras palavras, os estoicos colocavam a autoconsciência e o caráter pessoal como seu último refúgio, e era isso que lhes proporcionava bem-estar e felicidade.

A psicologia moderna chega à mesma conclusão

Do ponto de vista da psicologia moderna, tudo isso está relacionado ao conceito de bem-estar que realmente contribui para a felicidade e sobre o qual Arthur C. Brooks já falava ao afirmar que as pessoas mais felizes sempre encontram significado, satisfação e prazer em suas vidas.

Mas ele não é o único especialista a defender essa ideia. Para muitos teóricos da psicologia humanista, como Viktor Frankl, a felicidade está em viver com sentido e coerência interior.

Da mesma forma, a ciência associa a ideia de bem-estar profundo muito mais ao sentido da vida, ao propósito e ao crescimento pessoal do que ao prazer momentâneo ou às emoções agradáveis.

Estas últimas são importantes, e não há motivo para abrir mão delas. Mas, sem os primeiros, não existe felicidade verdadeira.

Por que uma vida com sentido torna a infelicidade suportável

Para Bauman, como explica em “A Arte da Vida”, "a felicidade não pode ser prometida por nenhuma forma de organização social; ela só pode ser buscada individualmente", porque, em um mundo tão instável, a única coisa que conseguimos manter relativamente estável é nosso trabalho interior.

Isso, porém, não significa que seremos plenamente felizes. O que Bauman afirma é que "uma vida com sentido não garante a felicidade, mas torna suportável a infelicidade". E isso, nos tempos em que vivemos, já é bastante.

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Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
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