O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu entrada nesta sexta-feira (24) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para passar por dois procedimentos considerados simples: uma cauterização de uma queratose na cabeça e uma infiltração no punho para tratar tendinite no polegar direito.
Segundo boletim médico, os dois procedimentos ocorreram sem intercorrência e Lula recebeu alta ainda na manhã desta sexta-feira (24). Ele deve retomar a agenda de trabalho normalmente na próxima segunda-feira (27).
Segundo a dermatologista Dra. Sylvia Ypiranga, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), a queratose é um nome genérico que pode se referir a uma condição em que há um aumento da camada mais superficial da pele, que é formada de queratina.
O diagnóstico serve de alerta, especialmente, em homens mais velhos, pois o couro cabeludo é uma área de risco para queratose actínica, que pode evoluir para um câncer de pele.
“Principalmente em homens mais velhos que se sofreram muita exposição à radiação ultravioleta do sol e principalmente aqueles que também tem pouco cabelo no alto da cabeça ou que tem cabelos brancos (que protegem menos contra a radiação ultravioleta). O couro cabeludo é um tecido sujeito a um dano crônico e contínuo à radiação ultravioleta, que pode levar à formação de queratose actínicas e eventualmente a evolução para câncer de pele”, completa a especialista.
Não foi divulgado qual afetou Lula, mas existem três diferentes tipos de queratose: a pilar, a seborreica e a actínica.
A queratose pilar se manifesta com bolinhas que aparecem no braço, coxa, costas e até nos glúteos, mas é uma condição totalmente benigna, geralmente genética e não traz danos à saúde. Acontece, em maior frequência, em pessoas com a pele seca e atópica, aquela que traz coceiras intensas e lesões avermelhadas.
Segundo a Dra. Sylvia, a queratose seborreica não é tão preocupante no quesito de saúde, apesar do incômodo estético. “Muitas vezes ela é escura, áspera, meio oleosa, pode acontecer em áreas expostas e não expostas, no rosto, no corpo e couro cabeludo. Ela é assintomática, não coça, não dói, porém ela cresce e uma vez crescendo ela pode ficar sujeita a traumatismo, a machucados e até a infecção”, alerta.
Já a queratose actínica é uma lesão pré-cancerosa, então, é necessário tratar com urgência. “Ela pode evoluir com cura espontânea, pode aumentar de tamanho, ficar como está ou ainda evoluir para câncer de pele. Como não sabemos como será a evolução, sempre que estivermos diante de uma queratose actínica devemos tratá-la”, explica a Dra. Sylvia.
O couro cabeludo é considerado uma região de alto risco, portanto, se encontradas lesões infiltradas ou doloridas, elas devem ser biopsiadas para averiguar câncer. “Na área, é comum que esse câncer de pele seja do tipo carcinoma epidermóide e que eventualmente possa ter algum comportamento mais agressivo vindo a infiltrar tecidos adjacentes – no caso, o tecido adjacente pode vir a ser a camada que reveste a calota craniana e um sinal importante de que isso pode estar acontecendo é a presença de dor”, conclui a doutora.