Há 44 anos, o SBT entrava no ar exibindo a assinatura de concessão do próprio canal em Brasília. Pouco tempo depois, a emissora de Silvio Santos já contava com veteranos no seu elenco, entre eles Raul Gil, cuja segunda passagem foi encerrada no fim de 2024, e J.Silvestre, um dos primeiros apresentadores da TV e que faleceu em janeiro de 2000.
O comunicador chegou ao SBT em 1982 e saiu da emissora em abril do ano seguinte fazendo graves acusações e cutucando Silvio Santos, cuja morte completou um ano no último dia 17 e que há quase três décadas demitiu de maneira polêmica um funcionário de longo tempo. "Isso, em linguagem mais clara, é um roubo", disparou Jota em entrevista à imprensa, relatou a "Folha de S.Paulo" em 24 de abril de 1983.
E porque a revolta do comunicador? Segundo ele, o SBT registrou o título "Show Sem Limite", nome de programa criado e apresentado por ele na década de 1950. Na emissora paulista, hoje em nova crise histórica de audiência, J.Silvestre conduziu ainda o "A Mulher é um Show", que posteriormente foi conduzido por Moacyr Franco e pelo próprio Silvio, alvo na mesma década de sério ataque de um humorista.
Na época, J.Silvestre alegou que o título "Show Sem Limite' era dele: "Moralmente me pertence". Cabe um parêntese. Segundo o jornal, o comunicador que trocou o SBT pela Band não chegou a registrar o nome. Ainda na conversa com a imprensa, o apresentador se mostrou totalmente insatisfeito com a postura do canal paulista.
"Recentemente, um menino de Brasília que respondia perguntas sobre capitais mundiais fez jus ao prêmio de um piano. Só que a emissora queria lhe dar um piano usado. Tive que brigar por um piano novo, conseguido com muito custo. Em outra oportunidade, meu programa prometeu uma perna mecânica a uma mulher que desfilou em cadeira de rodas no carnaval. A emissora se recusou a pagar. Tive, então, que dar o prêmio com dinheiro do meu próprio bolso", alfinetou Jota.
A tudo isso se soma outra acusação: J.Silvestre afirmou que os convidados do seu programa tinham direito apenas a algumas despesas pagas pelo SBT. "Recebiam apenas passagens e o hotel, não se incluindo refeições, o que, sem dúvida, é um absurdo", disse o comunicador, que tinha multa de rescisão de contrato avaliada em 150 milhões de cruzeiros.
Após quatro meses, Sérgio Chapelin deixou o "Jornal Nacional" e a Globo para substituir Jota no "Show Sem Limite" com salário estimado em 5 milhões de cruzeiros. Já o ex-SBT fez uma ponderação a respeito do dono do Baú. "Mas fique claro: tenho pelo Sílvio Santos, que construiu um império com seu próprio trabalho, o maior respeito", apontou.
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