Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a faixa etária entre 45 e 59 anos, o período da meia-idade traz inquietações muito específicas. É tarde demais para se identificar com questões da juventude e muito precoce para lidar com problemas da velhice. Com isso, a solidão desempenha um papel ainda mais desafiador neste período.
Não se trata do medo da dificuldade de pertencimento, como na juventude. Nem de abandono ou isolamento, como pode ocorrer na velhice. Na meia-idade, a solidão se manifesta de forma mais silenciosa, pois surge em uma época de agenda lotada, responsabilidades acumuladas e uma vida que, vista de fora, parece estável.
A meia-idade é um período onde a gente acredita que não vai estar emocionalmente perdido ou desconectado. Mas o sentimento de solidão não tem data certa para aparecer. E isso pode ser perturbador.
Segundo um estudo publicado no American Psychologist, adultos de meia-idade nos Estados Unidos relatam níveis elevados de solidão - o número cresce consideravelmente em comparação à Europa. O contexto social dá indícios deste fenômeno, que pode acontecer graças a desigualdades econômicas, múltiplas responsabilidades e redes de apoio menos robustas.
A diferença mais desconfortável é que, ao contrário da juventude, onde a solidão pode estar relacionada à construção da identidade, na meia-idade, ela pode ser um sinal de esgotamento. Conciliar trabalhos, casamento, cuidados com os filhos e com a casa… Esse cenário resulta em pouco tempo para a manutenção de amizades ou até mesmo para desenvolver novos laços profundos.
Já ao contrário da velhice, onde há muitos casos de uma solidão literal, na meia-idade, isso não significa que a pessoa está realmente sozinha. De colegas de trabalho a membros da família, ela pode estar constantemente acompanhada, trocar ideias, mas ainda assim sentir a solidão por falta de uma conexão emocional profunda. É um sintoma muito constante na meia-idade, porque trata-se de um período onde as relações se tornam mais funcionais do que pessoais.
É comum que pessoas que se sintam sozinhas nessa idade interpretem isso como um fracasso pessoal, mas trata-se de uma realidade muito específica desta fase da vida. É importante compreender as características desta solidão para não interpretá-la como uma falha individual.
A solidão nem sempre é indício de um baixo traquejo social ou de rejeição de pessoas, mas, sim, uma combinação de fatores da vida, como a exigência cada vez maior de performance no trabalho e menos espaço para relações verdadeiramente profundas.
(com informações do jornal argentino Clarín)